11º Passo

“11. Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade e relação a nós, e forças para realizar essa vontade.”

Fizemos nosso inventário moral no Quarto Passo desde então sustentamos esse novo hábito em nossa rotina pelo Décimo Passo. No Segundo Passo assumimos uma nova atitude em adotar um Poder Superior (e mais sábio) em nossas orientações pessoais e no Terceiro Passo decidimos consciente e declaradamente que faremos dessa nova decisão um de nossos instrumentos de cura interior. O Décimo Primeiro Passo seria a adoção sistemática dos Segundo e Terceiro Passos ao longo de nossas vidas.

Para conversar com o Poder Superior – em quaisquer umas de suas formas adotadas – em uma prece necessariamente iremos organizar nossos pensamentos para este fim: o que nos atormenta? Com o que não estamos conseguindo lidar ou resolver? O que ainda não aprendemos? Do que precisamos nesse momento? O que podemos agradecer? Recebemos alguma surpresa boa e inesperada? Essa simples necessidade prévia já seria capaz de nos organizar em novas direções rumo a possíveis soluções ao que estiver nos causando perturbação. Mesmo quando repetimos uma oração já estabelecida pela força da tradição, estamos ativamente nos concentrando em sanar nossos problemas pois estaremos dedicando um tempo pessoal para focarmos nossa atenção às nossas necessidades durante o pronunciamento da reza em que acreditamos ser capaz de nos comunicar com nosso Poder Superior. Mesmo quem não realiza orações, através da disposição de tempo e ambiente para reflexão pessoal também conseguirá formular seus questionamentos interiores e buscar por suas próprias soluções. Tudo pode (e até mesmo deve) ser realmente simples e acessível, todos os recursos se tornam válidos e realmente práticos. Os resultados aparecem.

Porém, por vezes, estaremos tão perdidos em um verdadeiro “buraco negro” instalado sorrateiramente em nossa alma que nem ao mesmo seremos capazes de perceber de fato quais nossos problemas, em que áreas da vida esses problemas estão operando de fato, o quanto estamos sendo absorvidos por essas questões mal resolvidas. Os conselhos que ouvimos de pessoas supostamente bem melhor preparadas que nós parecerão puro disparate (devido à nossa própria incompreensão sobre a realidade se ainda não estamos hábeis em compreender isso) e não sabemos, quer dizer, realmente não podemos fazer nada quanto a esse quadro. O sentimento da impotência e do vazio interior passa a nos dominar. Nessa fase, encare que os problemas não são os outros (pelo menos não a princípio), foque apenas em você e evite movimentos drásticos: não peça demissão. Não tranque a faculdade. Não se mude. Não compre nada caro ou faça qualquer investimento. Não peça separação ou divórcio. Evite discutir com quem quer que seja. São certamente aconselhamentos “impossíveis de se seguir”, mas são os únicos coerentes com o fato de que o buraco negro é nosso, localizado dentro de nossas mentes insatisfeitas por alguma razão e que somos nós mesmos quem estamos descarregando nossa visão distorcida pela dor interior e ansiedade sobre os demais relacionamentos que nos cercam. Na impossibilidade de fazer o que quer que seja para solucionar o que quer que esteja ocorrendo, será essa nossa atitude: aceitar a realidade, não exaurir nossa (às vezes pouca) energia lutando contra questões que momentaneamente estão mais poderosas que qualquer uma de nossas forças. Esse será um exercício de compreensão e aceitação de nossa incapacidade temporária. Isso não significa ser derrotad@. Significa reconhecer que ainda necessita obter alguma nova sabedoria para conseguir vencer. Iremos nos recolher e literalmente iremos meditar.

Meditar? Sim, meditar. Provavelmente o local mais extraordinário que você poderá ir para meditar será seu próprio quarto ou sala de casa. Os melhores horários são ao acordar (caso acorde bem cedo) ou antes de dormir (caso durma bem tarde) para que os ruídos externos a vizinhança estejam reduzidos. Se não puder contar essa paz no local onde esteja residindo sugiro ir a uma Igreja Católica em dias de semana, sem missa. Apenas fecharemos nossos olhos mantendo a coluna ereta e as mãos apoiadas nos joelhos e tentaremos não pensar em nada. “Tentaremos” porque é realmente difícil demais. No começo, ficar sem pensar em nada por dois segundos parecerá impossível, acredite. Mas quanto mais conseguir não relembrar dos acontecimentos do passado e nem temer pelo futuro, esse “espaço em branco” que terá a chance de se abrir pela primeira vez em sua mente trará um pouco de paz imediata e a possibilidade de encontrar soluções para o presente, justamente o que precisamos.

Neste Passo, nos concentramos em nós e em nosso Poder Superior para ouvir nossa “revelação pessoal”, para obter tudo aquilo que será melhor e mais saudável para nossas vidas e o mundo.

Sugestão de Ferramenta de Recuperação:
Espaço e horário em que possa ficar só, para orar/refletir e meditar.

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