Oitavo Passo – Agosto

Oitavo Passo do programa de recuperação de AA –  “8. Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados”.

No momento em que escrevo, integro salas de recuperação anônimas há pouco mais de 4 anos. Não é pouco. E digo que nunca, nunca mesmo, o oitavo e o nono passo sejam citados espontaneamente por quem quer que seja. O 8º e o 9º Passo são lembrados conforme avança o ritmo de leitura dos livros e roteiros de leitura em sala, ou seja, por pura obrigação e acaso de quando seja o “dia deles”. E, claro, não dá para reclamar. Lê-se. Poucos dedos se levantam para comentar. Prossegue-se uma reunião um tanto tímida. Relato porque já vi acontecer, mais de uma vez. Então, porque os Passos 8 e 9 incomodam tanto?

Se entramos em uma sala de terapia de grupo buscando ajuda contra todo o mal que nos fizeram ou porque temos tantos problemas, tais passos subitamente nos “removem o cobertor da negação sob o qual nos aprendemos a nos esconder” como diz a autora endossada Melody Beattie. Trocamos de cadeira contra quem acusávamos e agora temos de responder a quem causamos problemas no papel não de vítima – esse aí já praticamos tanto que talvez o confundamos com nossa própria identidade. Mesmo sendo uma etapa pessoal, pois não somos obrigados pelo programa a sair contando nada a ninguém, isso nos retira da zona de conforto do papel da vítima / vitimismo sem nenhum rodeio. Acusávamos livremente outras pessoas e agora o dedo está apontado para nós. E agora? Vítimas causam danos? Somos só vítimas mesmo? Ou há algo a ser descoberto e curado em nós para curarmos a outros a quem ferimos de algum modo? Isso tudo parece nos remeter a uma difícil palavra… perdão.

Oitavo passo. Podemos fazê-lo imediatamente. Podemos procrastinar. Nem é difícil imaginar como a segunda opção é quase sempre mais ouvida. A literatura endossada nos lembra: é importante fazer. Nossa madrinha ou padrinho nos cobra. Mas ouvimos nas salas: “ainda não fiz, porque não tenho coragem”. O que o oitavo passo nos pede é apenas uma relação de pessoas e situações em que fomos nós mesmos os causadores de uma tipo de problema ou prejuízo. Se encararmos dessa maneira, talvez ganhemos mais coragem em realizar essa etapa integrante de nossa recuperação.

73. Errar é humano e na vida só não errou quem nada fez! – Lema de AA

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