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A espiral da recuperação – Parte 1

NA OPINIÃO DO BILL 1, Mudança de personalidade, “Com freqüência se tem dito a respeito de A.A., que somente estamos interessados no alcoolismo*. Isso não é verdade. Temos que vencer a bebida para continuarmos vivos. Mas quem quer que conheça a personalidade do alcoólico, através do contato mais direto, sabe que nenhum alcoólico verdadeiro pára completamente de beber sem sofrer uma profunda mudança de personalidade”.
*Ou outras adicções e dependências

A recuperação de uma adicção ou processo de dependência, seja ela qual for, é um processo, pois ocorrerá progressivamente, incluindo conquistas e recaídas, aos poucos enquanto o indivíduo aceita ser mudado, se torna capaz de mudar e se finalmente se torna agente de mudança – voluntariamente ou não – dos demais ao seu redor. Porque quando alguém muda, as outras circunstâncias e pessoas próximas a ele também mudarão em algum nível, é certo.

O Programa de Doze Passos inclui para esta finalidade um grande conjunto conceitual e material de uso em suas reuniões e fora delas: os doze passos, conceitos e tradições; lemas e ferramentas de recuperação, adoção de padrinho ou madrinha de recuperação, reuniões constantes e eventos esporádicos, literatura endossada e materiais de uso em sala, prestação de serviço dentro de sala e fora dela, participação em encontros de comitês de organização interna dos grupos e muito mais. Não será algo que praticaremos ou obteremos integralmente em um único dia e nem mesmo, provavelmente, adotaremos tudo; mas quanto o mais permitirmos adotar em nossa recuperação mais nos beneficiaremos. Sendo flexíveis, sem nos sobrecarregar, atingiremos aspectos mais saudáveis e serenos em nossas vidas. Os grupos baseados no anonimato de seus membros costumam ter ou realizar:

  • Os doze passos: A relação de passos de alcoólicos anônimos – célula mãe dos grupos de mútua ajuda – ilustra as etapas a ser realizadas pelos ingressantes no Programa de recuperação baseado no modelo de AA.
  • Os doze conceitos: São doze regras simples que visam manter a prestação de serviços de cada grupo organizada e harmoniosa.
  • As doze tradições: São doze regras de conduta interpessoal e organização interna de grupos anônimos que visam manter o funcionamentos das salas com harmonia, alternância de participantes em sua organização e não-acumulação de poder sobre determinados indivíduos.
  • As doze promessas: São um conjunto de doze afirmações positivas relacionadas à meta de recuperação de determinado grupo anônimo.
  • As doze diretrizes: São orientação ao modo como o grupo se reportará à situações de exposição na mídia, evitando controvérsias e garantindo o anonimato dos envolvidos.
  • Partilha: O ato de falar durante a reunião em uma sala de mútua ajuda. Normalmente começa com “Sou fulano, um participante em busca de recuperação…” e todos respondem juntos “Oi, Fulano!!!”. Ao final, quem partilhou costuma agradecer dizendo “Obrigada por me ouvirem”.
  • Lemas: São pequenas frases, fáceis de memorizar, que os praticantes de irmandades anônimas costumas adotar pessoalmente em seu processo de recuperação ou como metas do grupo durante certo período.
  • Ferramentas de recuperação: Telefones de outros membros do grupo (atualmente incrementados com listas de Whatsapp e grupos de redes sociais) a quem se possa entrar livremente em contato em momentos de crise para buscar orientação e companhia. Adoção de padrinho ou madrinha de recuperação e manter contato com ele ou ela. 
  • Reuniões constantes: Há uma dia e um horário propício em algum Grupo esperando por você. A ida a um Grupo de maneira nenhuma o vincula a ele. É possível ir participando de reunião em reunião até adotar o Grupo com mais afinidade temática e de companheiros. Também é comum a adesão simultânea a mais de um tipo de sala. Por exemplo, frequentar AA e NA, frequentar Nar-Anon e Coda e CCA, etc.
  • Anonimato dos participantes: “Quem você viu aqui, o que você ouviu aqui, ao sair daqui, deixe que fique aqui”
  • Orações: da Serenidade, da Irmandade e do Grupo.
  • Fitas, fichas ou cartões de tempo de adesão ao programa: São pequenas lembranças de vitórias pessoais e de persistência.
  • Eventos esporádicos: Palestras com participantes mais experientes, palestras com profissionais de terapia, finais de semana de eventos de recuperação em hotéis…
  • Literatura endossada: Os livros e apostilas que seu grupo elegeu como representantes de sua proposta de recuperação. Alguns podem ser adquiridos em livrarias comuns e outros são comprados diretamente nas salas durante as reuniões.
  • Materiais de uso em sala: Cartões para leitura durante a reunião, banners e quadros nas paredes, lenços para quem se emociona durante sua partilha, apostila que orienta a coordenação da sala, lanche para a hora do café e outros materiais para organização e realização do encontro.
  • Prestação de serviço dentro de sala: Ajudar a arrumar a sala antes e depois do encontro, fazer e ajudar a servir o café, verificar pendências, avisar temas importantes aos demais participantes para manter a sala em condições de realizar suas reuniões com eficiência entre os presentes. Prestar serviço eventualmente ou ser coordenador, tesoureiro ou representante do grupo junto ao evento de intergrupo.
  • Prestação de serviço dentro de sala fora dela: Visitar como voluntário empresas, eventos, escolas, presídios, hospitais e outros espaços apresentando a proposta de recuperação de sua sala. Faz parte de “levar a mensagem”.
  • Participação em encontros de comitês de organização interna dos grupos: Participar ativamente da gestão do Grupo de sua cidade colaborando para a existência e continuidade do mesmo. Normalmente acontece na forma de uma reunião de intergrupo com cada sala da cidade enviando um representante que relate a situação de sua sala e juntos adquiram materiais de apoio e informações relevantes a serem repassadas no retorno às suas reuniões. Conhecer as Doze Tradições ajuda bastante.


O começo da espiral da recuperação

Eleger um grupo de apoio e começar a frequentá-lo regularmente, conhecer suas propostas e participantes, conhecer os recursos do programa de Doze Passos, tudo isso, enquanto se está vivendo um quadro ainda de mal-estar devido a uma adicção ou dependência não é fácil e requer um esforço para a manutenção das novas práticas e obtenção dos primeiros sinais de alívio e bem-estar. O Programa de recuperação baseado em AA é acessível, mas requer empenho de seus integrantes. Dia após dias, passo a passo, a vida vai mudando em um processo de desenvolvimento que propõe a geração de novas bases para um novo modo de viver.

Melhorar como um processo de curar
A “cura”, seja para qual problema de adicção ou dependência for, não vem quando pedimos, mas chega durante o tempo a que entregamos o nosso processo de curar. Talvez trocar “cura”  por “melhoria” seja uma melhor visão para o processo. Melhoramos dia após dia, melhoramos compreendendo nossas histórias pessoais, melhoramos junto a outros que também estão melhorando de problemas semelhantes, melhoramos porque passamos a nos autoconhecer.

Falhamos e recaímos bem no meio disso tudo?

A espiral da recuperação – Parte 2

Mas observe a vitória do quanto já melhoramos. A ideia de uma recuperação em espirais ou zigue-zagues ascendentes ou da forma como melhor compreender pessoalmente, de algum modo, estará relacionado à noção de que os progressos estão sujeitos a altos e baixos e que o controle individual não será tão efetivo quanto ao controle pessoal orientado pelos companheiros de programação. Minha visão sobre minha própria recuperação se tornou mais positiva quando elaborei minha própria meta de recuperação e passei a enxergá-la como um gráfico de rendimentos do Bovespa: não importaria observar diversos picos descendentes, eles não significariam prejuízos para mim, eu não iria ficar me recriminando, desde que a grande ascendente sobre a qual se apoiassem continuasse subindo de maneira exponencial em realizações e transformações individuais. Interpretação pessoal, bem pessoal, elabore uma para si também.

E a cada problema superado, não duvide, a vida trará novos. Porém, com uma diferença: os desafios crescerão, pois estaremos vivendo níveis mais conscientes de sentimentos, pensamentos e comportamentos. Não retornaremos a comportamentos antigos para lidar com novas situações cobradas pela sobriedade, mas será que já desenvolvemos a habilidade de tais novas atitudes? Manter uma visão de recuperação como um processo em espiral também incluirá essa mudança progressiva dos desafios que chegarão e dos recursos que abandonaremos ou passaremos a adotar para lidar com os mesmos. São muitos passos nessa nova jornada de (re)construção pessoal. Vale a pena continuar voltando ao Programa!


“NA OPINIÃO DO BILL 331, A grande realidade, “Para o recém-chegado: Entregue-se a Deus, como você O concebe. Admita suas faltas a Ele e a seus semelhantes. Desfaça-se das ruínas de seu passado. Dê livremente aquilo que você receber e junte-se a nós. Estaremos com você na irmandade do espírito e, você certamente se encontrará com alguns de nós, quando trilhar o caminho do destino feliz. Que Deus o abençoe e o proteja! – até lá.”

 

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A espiral da recuperação – Parte 2

“Há anos observo as pessoas usarem várias ilustrações para representar a recuperação ou o processo de crescimento … Já vi a recuperação ser retratada como um zigue-zague para cima e para baixo, formando picos cada vez maiores … como uma espiral de fora para dentro em círculos menores até formar um centro de estabilidade … como uma linha se movendo para cima e para baixo, formando círculos repetitivos e ascendentes… O que ainda não vi … é uma figura formada por uma linha reta e ascendente. Porque a recuperação não é assim.” Melody Beattie, Para além da codependência, página 58

No post anterior, A espiral da recuperação – Parte 1, foi explorada ideia de um progresso da serenidade espiritual em espiral. Agora, aquela mesma espiral do processo de desenvolvimento será agora analisada pela perspectiva que lhe confere suas curvas, desvios e inclinações: as recaídas.

Recaída em começo de recuperação: indesejável, imprevisível e certeira
As primeiras vezes que se ouve falar em recaídas em reuniões de grupos de doze passos percebe-se algo de misterioso no ar: alguém pode não estar presente à reunião por que recaiu. Alguém está mais tenso ou deprimido por que reconheceu ter recaído. Há uma certa tensão quase constante entre as pessoas em recair. E o que se trata de “recair”, afinal nos perguntamos em nossas mentes. Recair é um jargão das salas de irmandades anônimas para a reincidência em alguma prática que supostamente estaria sendo superada pela terapia de mútua ajuda.

  • Se um adicto começa a frequentar o Programa e a aprender novos recursos para superar sua compulsão por certa substância (seja álcool, narcótico, remédio, cigarro, etc) e em certo momento a usa novamente; diz-se que “recaiu”.
  • Se um adicto comportamental começa a frequentar o Programa e a aprender novos recursos para superar sua compulsão por certas atitudes (seja comportamento sexual compulsivo, jogar, compras, comer em excesso, etc) e em certo momento pratica ou retoma a ativa; diz-se que “recaiu”.
  • Se um dependente emocional começa a frequentar o Programa e a aprender novos recursos para superar sua interação dependente e compulsiva com determinadas pessoas (seja parceria sexo-afetiva real ou platônica, pais, filhos, outras pessoas) e em certo momento age inadequadamente novamente; talvez na forma de perseguição (física, telefônica ou eletrônica) ou agressividade (violência, assédio, ameaça) ou tentativas desesperadas de salvamento (dar dinheiro, ceder moradia inadequadamente, outros), diz-se que “recaiu”.
  • Se um codependente começa a frequentar o Programa e a aprender novos recursos para superar sua interação compulsiva com determinadas pessoas cujas atividades lhe são alvo de controle (seja parceria sexo-afetiva real ou platônica, pais, filhos, outras pessoas) e em certo momento age inadequadamente novamente; talvez na forma de perseguição (física, telefônica ou eletrônica) ou agressividade (violência, assédio, ameaça) ou tentativas desesperadas de salvamento (dar dinheiro, ceder moradia inadequadamente, outros), diz-se que “recaiu”.


Recaídas durante a recuperação: porquê?
Ao começar a frequentar um programa de Doze Passos, o indivíduo é surpreendido com muitas novidades em sua vida: o novo compromisso pessoal de ir até ao grupo escolhido em certo dia e horário, a gradual formação de um grupo de conhecidos sobre os quais vai conhecendo aos poucos, as informações novas, a vontade inicial de “mudar”, enfim; o horizonte daquele que adere ao Programa de Anônimos se enche de novidades muito rapidamente. É razoavelmente fácil de sentir melhor em um primeiro momento.

É aí onde reside a confusão. Se sentir melhor não é sinônimo de serenidade assim como estar abstêmio não é sinônimo de sobriedade. Toda essa nova vontade em mudar algum aspecto de si e todas essas novidades da Programação estão chegando e se instalando na vida de alguém que necessariamente ainda estará de algum modo vivendo como estabelecido pela “programação” de seu antigo modo de viver que potencialmente o conduziu à adicção ou dependências:

  • uma história de vida pregressa que ainda está se desenvolvendo da forma como foi estabelecida por diversos fatores não necessariamente benéficos ao sujeito;
  • com uma família ou um relacionamento sexo-afetivo disfuncional que ainda exercerá influência sobre o mesmo;
  • adquirindo produtos de mídia e culturais que o entretém enquanto lhe comunicam as mesmas velhas mensagens comerciais distorcidas de um real modo positivo de viver;
  • se a pessoa não construiu um estrutura material ao longo de sua vida (formação, carreira profissional, moradia, amparo social e financeiro, círculo social e networking, prática de hobbies e lazer, definição ou realização de sonhos, etc) ela pode ainda está à mercê de viver de maneiro errática e desestruturada;
  • Muitos outros fatores, tão relevantes quanto os citados e com relevância suficiente para até agir como “gatilhos” de compulsão.

 

Recaídas em recuperação: existe um Programa para isso!
O Programa de recuperação baseado nos Doze Passos de Alcoólicos Anônimos não é um remédio que compra, não é um evento que se vai em um final de semana e não se concretiza segundo “a vontade do freguês”. Uma boa analogia ao Programa de AA seria compreendê-lo como um aplicativo de computador ou celular. Sabe-se que a adoção estruturada de uma série de instruções descritas segundo um código de programação computacional é capaz de realizar um determinado resultado, como uma aplicativo de celular ou computador. Adotar a programação de anônimos na vida, ao final, é reprogramar a vida estruturalmente para obter como resultado específico serenidade espiritual, física e mental. Costumo estender essa definição também aos campos social, ambiental, financeiro e familiar; pois são aspectos inteiramente interdependentes se repararmos bem.

Enquanto um programador de computador elabora seus conhecimentos para gerar os algorítimos de um código de programação visando obter como resultado as tarefas de um aplicativo; aos poucos ele encontrará situações em que seu conhecimento não será suficiente e precisará aprender algo novo, aos poucos surgirão os bugs (ou falhas de programação) que também irão testar suas habilidades de trabalho individual e em equipe e o aplicativo finalizado realizará funções conforme viabilizado pelos conhecimentos – ou falta de – da parte de seus criadores.

Analogamente, o participante de grupo de mútua ajuda está obtendo novos conhecimentos nas irmandades, para gerar habilidades pessoais objetivando uma nova “programação de vida” visando obter como resultado uma vida serena distante de comportamentos de adicção e dependências. Enquanto isso acontece, aos poucos ele encontrará situações em que seu conhecimento não será suficiente e precisará aprender algo novo afim de se afastar de situações e pessoas ligadas à dependência/adicção, aos poucos ocorrerão recaídas (ou falhas em sua “programação”, literalmente!) que também irão testar suas habilidades de recuperação individual e ao lado de seus companheiros, coordenadores e padrinho/madrinha de grupo de anônimos e sua vida após certo tempo de frequência ao programa será tão diferente do modo de vida anterior conforme viabilizado pelos conhecimentos e adesão às ferramentas de recuperação – ou falta de – de seu integrante.

O importante de tudo isso é a percepção de que ninguém que frequente uma sala de terapia de grupo estará imune a recaídas, mas que elas também não irão ocorrer para todo o sempre. Confie em si e no Programa e os (bons) resultados virão a seu tempo.

“As recaídas acontecem com muitos de nós. Acontecem com pessoas que estão se recuperando há dez meses ou há dez anos. Acontecem não porque somos deficientes ou relaxados, e sim porque são uma parte normal do processo de recuperação.” Melody Beattie, Para além da codependência, página 60.

Até que o casamento…

 

NA OPINIÃO DO BILL 72, Dependência – Doentia ou saudável, “Nada pode ser mais desmoralizador do que uma dependência servil e exagerada de um outro ser humano. Isso muitas vezes significa a exigência de um grau de proteção e amor que ninguém poderia possivelmente satisfazer. Assim sendo, aqueles que esperamos que sejam nossos protetores finalmente fogem e uma vez mais somos deixados sozinhos para nos desenvolver ou nos desintegrar”.

“Antigamente o casamento durava”, dizem alguns.

De fato, antigamente o casamento durava bastante, vidas inteiras até. E permitia, no mais das vezes, muita insalubridade: esposa e marido se agredir verbal e fisicamente. Esposa e marido agredir verbal e fisicamente aos filhos. Esposa (às vezes o marido) agarrando a própria existência ao salário e residência do outro até que a morte os separasse. Ser a extensão humana da condição do outro (esposa do fulano de profissão tal, marido daquela de família influente, etc). Antigamente… nada! Tudo ainda acontece, porém, no século XXI, cada vez menos.

Foi necessária a criação de leis específicas para a proteção contra agressões físicas e verbais de mulheres e crianças no interior de suas próprias famílias. No Brasil, são a Lei Maria da Penha e o Estatuto da Criança e do Adolescente as mais conhecidas. Faz parte da evolução do conjunto da sociedade ocidental. Infelizmente, as formas culturais de violência – normalmente mais discretas como a manipulação emocional e a dependência financeira – continuam a ser valorizadas e exaltadas principalmente nos produtos de mídia como cinema e romances. Mas os tempos são de mudanças e até mesmo essas “escolhas” tem tido suas desvantagens expostas.

Quanto menos os casamentos duram hoje em dia, mais descobrimos o quanto melhoramos enquanto indivíduos de uma maneira bastante generalizada. E é desse jeito que humanidade evolui para melhor em questão de relacionamentos sexo-afetivos. Casamentos passaram a ser postos em segundo lugar porque os indivíduos – homens e mulheres – estão aprendendo pouco a pouco a se colocar em primeiro. A palavra autoestima passou a integrar o vocabulário das pessoas de todas as idades e níveis sociais com cada vez mais frequência. O casamento passou a precisar ser bom para ambos, simultaneamente. É uma novidade na história humana. Uma novidade e tanto!

Nas salas de irmandades anônimas o casamento – quando existe – normalmente está em cheque. Um exemplo é uma pessoa ser adicta em álcool e não entender o porquê do parceiro reclamar tanto. Outro parceiro pode não suportar mais a bebedeira do companheiro e querer se separar. Um terceiro indivíduo começar a tratar seu abuso em substâncias e o companheiro não saber mais como lidar com os comportamentos dessa “nova” pessoa que está cohabitando o mesmo teto. Para cada variação de tipo de irmandade anônima (comida, sexo, gastos, narcóticos, etc) há diferentes formas de sofrimento pressionado os casamentos de seus participantes.

Também há o exemplo da dependência emocional que invisivelmente destrói casamentos. Invisivelmente porque nossa sociedade é tão saturada de modelos culturais negativos de se relacionar sexo-afetivamente que muitos comportamentos absurdos dos dependentes emocionais são até mesmo elogiados e incentivados por familiares e amigos, revistas, sites, televisão. Aprender novas formas de sentir, pensar e se comportar para os dependentes de pessoas é um desafio imenso; pois precisam aprender (e aceitar) que seus supostos “acertos” foram na verdade erros que enfraqueceram a relação. É tão complicado para o dependente emocional mudar quanto é difícil para seus parceiros conviverem por muito tempo e proximidade com os mesmos. É desgastante, sufocante,  chega um momento em que apenas já não dá mais para continuar.

Existe finalmente o exemplo do sofrimento do adicto em si que se faz espelhar em outros sofrimentos para suas companhias íntimas que o cercam em um processo conhecido como codependência. São tipicamente a vergonha, tristeza e as tentativas de controle da situação por parte de cônjuges, filhos, outros parentes. O sofrimento que supostamente pertenceria apenas à intimidade de alguém acaba por ser levado de diferentes formas para a vida social e profissional (agressividade, isolamento, auto sabotagem, bullying escolar, etc). O prejuízo da dependência extrapola a dor pessoal, atravessa famílias e casamentos e alcança a sociedade como um todo.

Mas essa mesma sociedade já aprendeu e evoluiu muito em áreas supostamente difíceis – tecnologicamente, politicamente, economicamente. A instituição do casamento (e da família) também precisará continuar mudando para uma sociedade de fato evoluída e saudável. Para todos, ao mesmo tempo. As salas de terapia de mútua ajuda não são terapia de casal e nem foram feitas para salvar ou separar casamentos. Foram feitas para equilibrar indivíduos espiritualmente visando a serenidade de viver; sejam eles dependentes de substâncias, comportamentos ou de outras pessoas. Mas se a pessoa muda, é certo, esse casamento também irá mudar de alguma maneira.

O casamento não mudará sozinho. Instituições e governos, por si, também não serão capazes de mudar o casamento. São as pessoas, disposta às mudanças e a mudar, que mudarão os casamentos. As irmandades anônimas, agora sim,  podem ajudar. Irmandades foram feitas para ajudar “aqueles que querem e não aqueles que precisam” a se amarem o suficiente mesmo que estejam (ou se tornem) sozinhos a desenvolverem a habilidade de buscar relacionamentos sexo-afetivos emocionalmente saudáveis e satisfatórios como um todo ainda que demande certo tempo. Isso então, é uma verdadeira revolução!

NA OPINIÃO DO BILL 85, A vida não é um beco sem saída, “Quando um homem ou uma mulher tem um despertar espiritual, o mais importante significado disso é que ele se tornou agora capaz de fazer, sentir e acreditar naquilo que ele não poderia antes fazer sozinho, sem ajuda, com seus próprios recursos e força. A ele foi concedida uma dádiva, que leva a um novo estado de consciência e a uma nova vida. A ele foi indicado um caminho, que lhe mostra que está indo em direção a uma meta, que a vida não é um beco sem saída, nem algo a ser suportado ou dominado. Na verdade ele se transformou, porque se agarrou a uma fonte de energia, da qual até agora havia se privado”.

 

Ciclos Viciosos

Aqueles que participam ativamente do Programa de Doze Passos possuem a consciência de estar aderindo a um novo modo de sentir, pensar e agir capaz de transformar positivamente seu viver visando a superação de problemas de dependência e emocionais. Em contrapartida, existe a percepçāo de já existir dentro de cada um uma “velha” programação a ser descartada; gerada ao longo da vida pela vivência de traumas, estresses, famílias disfuncionais e outros fatores. Realizar a transcendência de uma programação pela outra constitui um desafio e tanto. Abaixo, algumas das armadilhas – as indesejadas recaídas – que costumam surgir durante cada passo dessa – às vezes longa – jornada chamada recuperação.

Auto sabotagem

A auto sabotagem são os ‘presentes de grego’ de nosso inconsciente em que os azares/circunstâncias/pessoas /sociedade nos deprimirão ao ponto de somente obtermos alívio de uma fonte específica: o vício/compulsão adotado.Não é o acaso que nos conduz à recaída emocional/adicção mas a busca de uma justificativa ‘honesta’ à prática da adicção que nos desgoverna em incidentes conscientemente indesejáveis, porém, inconscientemente planejados por nossas almas.Jamais praticamos nossas adicções por uma razão inesperada mas certo é que semeamos razões suficientes para que a colheita da adicção/compulsão ocorra com alguma regularidade capaz em atender a nossos anseios inconscientes.

Padrões

Exemplo simplificado: qualquer pessoa pode encontrar em textos jornalísticos coisas do tipo: ”Chegue cedo a seus compromissos e assim evitará censuras sociais e perda de confiança.” A pessoa lê. Entende. Quer isso para si. Até pode exigir tal comportamento dos outros.Passam-se anos, décadas, uma vida talvez. E a pessoa é a ‘atrasilda’. Sofre censuras e ninguém confia nela.Melhor seria reposicionar causa e consequência: a pessoa, seja por trauma de infância/família disfuncional/etc não consegue inconscientemente permitir que os outros depositem nela confiança (o que quase sempre acarreta responsabilidades maiores) ou se ver como merecedora de elogios.Conscientemente todos queremos isso: confiança e elogios. Mas somos governados, segundo o próprio pai da psicanálise, por nossos ‘90%’ inconsciente que nos auto sabotarão – no caso desse pequeno exemplo – com atrasos e mais atrasos aos quais culparemos o trânsito, o azar, etc e etc nos fornecendo através dos ”julgamentos e injustiças alheias” todo o afastamento de compromissos sérios e expectativas a nosso respeito aos quais temos pavor e nem sequer podemos nos dar conta.

Histórias Pais e Filhos

Se um pai ou mãe adota um comportamento indevido não é difícil que seus filhos conscientemente o identifiquem. Porém, inconscientemente registra-se o indesejado aprendizado como uma forma automática de agir. Filhos adotam involuntariamente formas alteradas dos comportamentos familiares similares. O que aos seus próprios olhos parece ser opção e identidade própria, outras pessoas rapidamente são capazes de afirmar que ”quem sai aos seus não degenera”. Lembrando a velha canção, ”você diz que seus pais não entendem mas você não entende seus pais”. E nem mesmo a si, em nível profundo.

Dores de Processo

Cada um nasce com algumas bagagens, como a genética, emocional e ambiental. Cada pessoa teria ‘uma dose de dor’ a ser vencida ao longo de sua existência, tão necessária, pessoal e insubstituível como respirar. Saída generalizada? Vícios prazerosos ou de fuga. Porém, o que são as adicções em prazer na vida de uma pessoa sofrida senão um catalisador de piora? Por exemplo, a mesma dose de droga que uma pessoa usa recreativamente conduzirá outro à desgraça e assim sucessivamente em relação a fumar, brigar, se exibir, comer, controlar, adoecer, se alcolizar, amar, se drogar, transar, se entreter, mentir, trabalhar, se exercitar, sofrer, jogar, ajudar, se isolar, comprar e seus inúmeros eteceteras e variações. A ‘adicção de escolha prazerosa ou de fuga’ normalmente não destrói e nem é capaz de matar quem não a utiliza como ‘amortecedor de dores de processo individual’ mas para aqueles que inconscientemente a elegem dessa maneira podem estar fatalmente vulneráveis às mesmas. Poucos nascem, vivem e morrem em satisfação nata. É fácil associar tal pensamento ao ‘Karma’ budista em que tudo o que se faz cria uma consequência negativa em um ciclo contínuo de sofrimento próprio e que impacta as pessoas ao redor. ‘Samsara’. Se dores de processo são quase impossíveis de se curar puramente, gratidão aos vícios que nos levem ao paraíso da paz, superando as dores próprias intransponíveis através dos conflitos adicionais capazes de orientar e purificar. Isso, apenas caso aceitemos que a prática insistente da compulsão prazerosa é igualmente a rota e rotina de nossos infernos e de nossos amados que nos cercam. Em que parte da viagem na estrada de nosso viver o contato com a dor original conduz à pista da dependência de adicção (em que a degradação lenta do ‘veículo’ se acelera continuamente arriscando a vida do condutor, eventuais ‘passageiros’ e dos outros viajantes ao redor) se dirigindo à bifurcação que oferta duas pistas como opções sendo um lado a que manterá a vivência sofrida nas escolhas dependentes ou o outro lado que conduzirá à mudança total? Um propósito de vida seria a placa rodoviária com uma seta apontando para a pista rumo à alegria pessoal? Talvez.Nascemos com dores, elegemos vícios diversos ( ”que não viciam nada” em nossas negações), sejam legais ou ilegais, e assim recebemos a grande chance da vida de nos elevarmos pelo descarte da dor e pelo descarte simultâneo da dependência de tal prática ou prazer. Ou o viver perecerá gradualmente de modo diário, talvez abrupto. Porém, nossos nascimentos e vivências guardam dentro de nossas almas mapinhas semelhantes aos quadradinhos de um jogo de batalha naval. Quem nasça, hipoteticamente, com fragilidades em 3F Drogas + 9B Álcool+ 7D Jogo talvez veja sua vida sair razoavelmente ilesa de opções como Afetos co-dependentes + Brigas + Comilança. Porém, provavelmente sem chances de evolução devido a falta de desafios interiores. Outro, com apenas uma fragilidade em 5C Competir poderá encontrar a ruína na prática obsessiva de algum esporte que cause lesões físicas constantes, absorva seu tempo atenção recursos e exponha seus limites à alguma situação letal. Aí, observamos a segunda ‘pista’ condutora à chance de transformação. É quando encaramos nosso passado e a nós mesmos após certo tempo que temos alguma chance de identificar onde pisamos em falso e de onde saímos ilesos em situações em que outros se perderam.

Auto sabotagem, padrões, história de pais e filhos, dores de processo são os enredos sinceros de um diário do tipo ‘Mentiras que invento para mim’.

OBS Autoria leiga em ‘psis’, mas a cada passo mais experiente em um rumo melhor.

Propósitos de Vida

Em doze passos buscamos um equilíbrio completo: físico, mental e espiritual. Buscamos o bem-estar interior, exterior e com os demais que nos cercam. As atividades que realizamos (ou deixamos de realizar) também passa a ser reavaliada em alguns casos. Podemos passar a exercer nossas atividades com mais paixão, abandoná-las, trocá-las ou iniciar novas tarefas para as quais não havíamos dedicado atenção antes da entrada nas salas de terapia de grupo anônimas.

Por algum tempo, uma missão de vida – ou dharma segundo a cultura indiana – me pareceu bastante complicado e obscuro. Porém, percebi que encontrar uma missão de vida particular dificilmente difere de realizar algum tipo de atividade de cunho coletivo, mesmo quando travestida de alguma sofisticação atual.

Há infinitas formas em se realizar espiritualmente, mas se por fim atende a algum objetivo arraigado da história humana é mais provável de obtenha êxito. O que seria dos códigos de programação das redes sociais se não satisfizessem essa alusão tão necessária quanto primitiva de “estar junto dos nossos”, né? E ao mesmo tempo a alegria que traz o ato de “criar” algo através do esforço individual mas que esse algo seja importante coletivamente, (re)conhecido pelos outros.

Faz todo sentido, já que vivemos em pequenas organizações sociais por um período histórico muito mais extenso do que o atual. Esse jeito antigo de viver ainda perdura em quase todos os continentes mesmo já no século XXI. Segue uma breve lista de sugestões, pois somos 7 bilhões de serem humanos apenas na atualidade, cada um com sua história e jeito de ser e viver.

Descobrir uma missão pessoal ou simplesmente adotar alguma tarefa como tal, segundo dizem baseado nos trabalhos de Fritz Perls, oferta um estado de fluxo onde a atividade nos absorve com tamanho prazer que chegamos a perder a noção de tempo e nos sentimos energizados por exercê-la (ao invés de esgotados e estressados como costuma acontecer nos trabalhos impostos por ouras razões).

Arte – Elaborar objetos únicos (seja por exclusividade ou uma padronização cultural específica)

Artesanato – criar e produzir seriadamente objetos de padrões tradicionais. Fazer cestaria, brinquedos, objetos e ferramentas

Cantar – criar canções, cantar sozinho ou em grupo, manter tradições de canto, ensinar a cantar

Cozinhar – sozinho ou em grupo, restaurante ou fornecimento

Competir – jogos, esportes, concursos e campeonatos

Conversar – coaching, ensinar, palestrar

Construir – abrigos, casas coletivas e templos, espaços públicos e de interação social

Criar animais – ter um pet, fazer abrigos para animais desamparados, trabalhar em uma ONG, aderir à causa animal, resgatar animais em risco

Cuidar das crianças (abrigar) – cuidadores, orfanatos

Cuidar das crianças (educar) – escola, cursos

Cuidar dos doentes – cuidados paliativos e terapêuticos. Remédios e tratamentos. Ensino da profilaxia

Cuidar dos idosos – Ex: assistência social

Cuidar dos “outros”- Ex: estrangeiros, deficientes, perseguidos políticos/religiosos/sociais

Cultura – São recentes mas envolvem a atenção da criatividade humana: fotografias, quadrinhos, vídeos e desenhos animados

Dançar – organizar festas e ocasiões propícias a unir canções e movimento

Desenhar – em superfícies, em tatuagens e outros objetos

Encenar – Dramatizar histórias com personagens

Esculpir e Modelar – troncos, pedras, gelo, ovos, ossos, conchas, papel, metal, gesso e argila

Escutar – ser terapeuta, conselheiro, amigo, atender no CVV, exercer a empatia

Esportes – Se dedicar, apoiar ou treinar pessoas

Fantasia – Escrever, reproduzir teatralmente, fazer indumentária

Moda – criar estilos ou reproduzir bem estilos consagrados ou criar roupas especiais

Música – criar e tocar instrumentos, criar ritmos

Orar – ensinar sobre as origens da vida e a prestar reverência de maneira tradicional

Orientar – arbitrar em conflitos, aconselhar visando harmonia, participar da vida política

Plantar – hortas, pomares, jardins, florestas, canteiros, jardins de inverno e terrários

Realizar eventos – reunir pessoas com objetivos ou características em comum

Tecer e estampar – Ex: criar ou produzir as vestes; usando fibras, couros e corantes

Treinar – Ensinar pessoas a realizar tarefas

Com certeza esqueci de alguma coisa… A beleza do que nos faz humanos e únicos é infinita!

O Tempo Revelador

29 de Dezembro Os eventos reveladores da vida podem ou não ser bem-vindos, mas se eles são favoráveis ou não só saberemos com a plenitude do tempo. (Robin Norwood, livro Meditações Diárias para Mulheres que Amam Demais)

É mais ou menos de conhecimento geral que o Programa de Doze Passos se baseia na premissa da Serenidade por 24 horas. Ou, Só Por Hoje. Não é solicitado aos seus participantes a assinatura de um grande contrato ou o acerto de um compromisso pré-determinado de certo tempo. Pede-se apenas a atenção e o controle a um dia de sua vida de cada vez em relação ao motivo que tenha indicado a pessoa a frequentar tal grupo de mútua ajuda. Vitória, encontramos um programa acessível e simples.

“Vitória, como assim? Veja no que irei participar a partir de agora. Que ruim.” – É um pensamento possível nesse primeiro momento.

Dia após dia passamos a visitar reuniões para falarmos sobre nossos desafios pessoais e ouvirmos outras histórias que invariavelmente se assemelham com as nossas próprias em algum aspecto. “O remédio entra pelo ouvido e sai pela boca” nos ensinam. Se existe algo que possivelmente cause embaraço em Salas de irmandade anônimas NÃO são propriamente os relatos que falamos mas o fato que contamos histórias pessoais tão universais, repetitivas, com explicações freudianas conhecidas! Nosso sofrimento nos traiu, descobrimos: aquela dor que ”só” nós mesmos sabíamos o quanto nos dilacerava agora aparece presente com pequenas variações na vida de tantos outros indivíduos desconhecidos. Vitória, o passar do tempo nos revela que nossos segredos talvez não sejam tão sombrios assim.

Falha-se, a famosa recaída. O que se espera de nós? Que reconheçamos a falha, voltemos a frequentar as reuniões e a praticar as ferramentas do Programa do tipo de Grupo ao qual aderimos. As recaídas ainda ocorrerão por certo tempo, mas a espaços temporais cada vez mais crescentes. Vitória, o passar do tempo nos revela nossas próprias mudanças, nos tornando hábeis a nos autoanalisar, tornando nossos comportamentos mais previsíveis a nós mesmos assim nos ofertando a chance de aplicar um livre-arbítrio mais adequado a nossa própria sanidade, interesses e serenidade.

Frequentando reuniões, se conhecendo melhor, aprendendo a interromper os gatilhos da dependência ou comportamentos destrutivos de uma vida equilibrada, uma certa magia (ou seria Lei da Atração? Ou a vontade de um Poder Superior a nós mesmos como cada um o concebe?) começa a encontrar espaço para acontecer. Começamos a identificar companheiros de sala como amigos e criamos (ou recriamos) uma vida social, nos equilibramos emocionalmente, percebemos a chegada de oportunidades na vida e nossa autoestima nos indica como aptos a buscá-las, um círculo virtuoso toma forma e ganha força a nos beneficiar por períodos cada vez mais extensos. Vitória, o Programa de 12 Passos começa a mostrar seus efeitos práticos na vida em geral, extrapolando as Salas.

Finalmente, algumas das frases e textos de reflexão comuns – e um tanto misteriosos no começo – nas salas de mútua ajuda finalmente se tornam compreensíveis: nossos mais insondáveis problemas viabilizaram algumas das mais bonitas soluções de nossas vidas. Nunca ouviu falar nisso ou discorda? Tudo bem, continue voltando para conhecer o segredo que está na próxima reunião. Será na entrega ao tempo que este tipo de vitória exclusiva e pessoal se definirá e manifestará. Permita que o tempo a revele, só por hoje.

Fechar um Ciclo, Recomeçar um Ciclo

O ano de 2017 2018 está a poucos dias de seu término. Para alguns, é o momento de celebrar as conquistas vividas e alcançadas. Para outros, é a vivência do sentimento de dias que ao se encerrarem, não terão feito falta ou deixado saudade. Para outros tantos, apenas mais um ano que se encerrou, sem nada demais a acrescentar de bom ou mau.

Se estamos vivos, os problemas podem aparecer de forma quase natural a qualquer um, mas há uma diferença entre as qualidades de problemas que cada indivíduo tende a experienciar em maior ou menor grau em sua vida. Como dito pelo psicanalista Carl Jung, “a vida de uma pessoa é característica daquela pessoa”.

Assim como os meses do ano, o Programa baseado nos passos de AA possuem Doze etapas. A analogia é quase que imediata; a cada mês, a ideia de um respectivo passo a se trabalhar. Não será jamais a garantia de se encerrar o período de um ano de modo a ter se tornado um ser-humano “perfeito”, mas, certamente nos tornaremos possivelmente pessoas melhores do que costumávamos ser. Que ganho! Nós agradecemos. Nossos familiares, amigos, colegas e conhecidos agradecem. Entregamos nossa contribuição para uma sociedade e um mundo mais saudável baseado na mudança daquilo que somos capazes: nós mesmos.

O ciclo de encerrar uma etapa de crescimento – baseado na ideia do ano que passou – pode nos ofertar assim um inesperado sentimento de gratidão. E o ano vindouro nos proporcionará novas situações que testarão nossas recém-adquiridas ferramentas de recuperação e o novo “eu” trabalhado em passos, tradições, conceitos e lemas; fazendo-nos crescer ainda mais. Agradeça, agradeça.

Que ao terminar desse ano, o estudo e compreensão de cada um dos Doze Passos tenha colaborado para que antigos problemas tenham sido deixados para trás permitindo que a vida nos traga suas surpresas, talvez até mesmo na forma de novos problemas, quem sabe elevados agora a noção de desejados desafios que ajudem a nos manter no ritmo positivamente crescente em nosso processo de recuperação. O ano terminou, mas nós continuamos!!!