FAQ

duvidas

F.A.Q. / PERGUNTAS FREQUENTES

1 – O que é uma sala anônima (ou de mútua ajuda ou de grupo de apoio ou de doze passos ou de terapia de grupo)?
Em 1935, nos Estados Unidos da América, dois alcoólicos perceberam quão seria frutífero para seus tratamentos de recuperação compartilhar suas histórias de vida e dificuldades diárias com outros alcoólicos assim como eles. Nascia o A.A. – Alcoólicos Anônimos. O sucesso desta ação disseminou suas salas ao redor do mundo.

Ao mesmo tempo, outras pessoas, com as mais diferentes questões pessoais, encontraram no modelo de salas anônimas do A.A. – assim como em seus lemas e métodos – uma sólida maneira de adaptar o modelo das terapias em grupos para cada um de seus problemas particulares. Por essa razão, A.A. é chamado de “célula-mãe” pelos demais grupos de mútua ajuda que se originaram a partir da cópia adaptada de seu modelo. Desconhece-se a quantidade de diferentes tipos de salas de mútua ajuda existentes no planeta; mas certamente são números que devem alcançar a casa da centena pelo que as literaturas especializadas sugerem. Esse número parece ser muito elevado para os brasileiros, porque aqui, para cada questão envolvida, existe uma (e apenas uma mesmo) irmandade anônima responsável, sem jamais existir concorrência temática entre as irmandades anônimas atuantes no Brasil hoje. Já nos EUA, por exemplo, além de existirem salas de tipos diferentes, para cada tipo de grupo anônimo existem grupos com diferenças de abordagem entre si, o que amplia bastante o leque de opções para escolha para cada adepto.

No Estado do Rio de Janeiro, hoje, existem 15 tipos de salas anônimas diferentes, espalhadas em diversos bairros e cidades. Mas, notoriamente, concentradas na Zona Sul do Rio.


2 – Quanto custa ir a uma sala anônima?

Todas as reuniões dos grupos anônimos baseados A.A. são gratuitas. Os grupos se mantém por geralmente utilizarem salas em igrejas, escolas e outros locais não-comerciais pagando para isso valores reduzidos. O pagamento desses valores são viabilizados através da “sétima tradição” em que os frequentadores das salas doam apenas no momento em que estão presentes (pois não há cobranças de mensalidades e nem de taxas) a quantia que julgarem adequada. Podem ser doadas moedinhas ou a quantia que se bem entender. Podem até mesmo, não doar nada, se não tiverem condições no momento. Alguns membros contribuem “prestando serviço” (ou seja, trabalhando voluntariamente para a manutenção das atividades do Grupo). Também são captados recursos através da venda de apostilas, informativos impressos, ímãs de geladeiras, etc.


3 – Se isso é tão bom assim, porquê minha terapia nunca indicou para mim?

Psicologia é uma ciência e uma profissão formal. Salas de doze passos são algo próximo de iniciativas individuais (porém, sempre alinhadas às condutas básicas definidas pelas “tradições” que organizam qualquer sala que tenha A.A. como célula-mãe). Alguns frequentadores das terapias de grupo também realizam terapias individuais, outros não. Alguns psicólogos, às vezes, visitam as salas para conhecer a metodologia. Outros, vão para tratar de suas próprias questões íntimas. Salas de doze passos e consultas psicológicas são como retas paralelas: não foram feitas para se cruzarem, mas estão sempre lado a lado.


4 – Porque tem que ser anônimo? Parece coisa de gente esquisita!

Grupos de salas anônimas tratam de um único assunto por excelência: ser dependente. Seja ser dependente de comer compulsivamente ou ser um codependente emocional de alguém, são assuntos muito delicados e que estarão expostos a um grupo. Discrição não basta! O sucesso e durabilidade de um grupo é sustentado pela décima-segunda tradição que lembra: “quem você viu aqui, o que você ouviu aqui, ao sair daqui, deixe que fique aqui”. Normalmente, ao sair de casa para uma reunião anônima, o frequentador diz à família que está indo à igreja ou trabalhar ou a um curso. E, se perguntado de onde conhece algum outro companheiro, oferece a mesma resposta. Alguns membros de salas anônimas optam em abrir seu anonimato (dizer abertamente que são frequentadores de tais salas): não é proibido e nem incentivado. E essa decisão pessoal jamais poderá afetar a qualquer outro companheiro de irmandade.


5 – As pessoas que vão a esses grupos são sempre as mesmas?

Cada frequentador opta por um dia e horário de sua conveniência. Outros, por questões de trabalho e família, nem sempre podem estar presentes às reuniões, indo a qualquer sala aberta no momento em que estão com tempo livre. Somando isso à chegada dos “novos” (pessoas que estão entrando nas salas pela primeira vez) a população das salas costuma variar bastante, principalmente com o passar do tempo. Mas assim como os membros presentes a cada reunião variam, é difícil, após certo tempo de frequência constante, chegar em um grupo sem conhecer ao menos algumas pessoas.


6 – Com o Programa de 12 Passos, lemas e leituras; então, posso não ir a sala alguma?

Questões de dependência requerem muito mais do que ler e estudar. Requerem aceitação. Ninguém desenvolve aceitação (apenas) lendo a respeito. Como se compreender em profundidade e aceitar o que se tem vivido ou se está vivendo? O começo costuma ser tão difícil que o lema máximo das salas é “só por hoje”/”mais 24 horas” em recuperação.

Conversar com alguém, neste caso, faz toda a diferença. Talvez você já frequente terapia. Se lhe bastasse, provavelmente não estaria lendo essas páginas, procurando aqui por outras soluções. A visão e o trato dos profissionais com alguém dependente é muito diferente da forma que outro dependente – que vive ou já viveu os mesmos problemas – irá compreende-lo. É a diferença entre ser tratado como um paciente/objeto de análise e ser tratado como um companheiro, um igual.

A acessibilidade também é diferente. Você poderá ligar e trocar mensagens com seus companheiros que vier a conhecer mas não pode ficar ligando para um analista quando bem entender. As salas funcionam em dias e horários muito além dos expedientes comerciais dos consultórios, incluindo finais de semana e alguns feriados. Se as consultas-padrão (pagas) duram no máximo 50 minutos semanais, as reuniões de grupos anônimos (gratuitas) duram cerca de duas horas e estão disponíveis diariamente.

Seus familiares e amigos talvez sejam maravilhosos, mas não vivenciam a dependência – e eles não tem realmente nenhuma obrigação disso; o problema, é individual e de mais ninguém a priori. Continue namorando, continue convivendo em família, sendo profissional, sendo amigo e desenvolva seu espaço particular para resolver seus dilemas fora de suas relações já estabelecidas: essa atitude preserva aqueles a quem você ama e a você também, evitando, sobretudo, a fofoca e os mal-estares que dela decorrem.

Nas salas será possível desenvolver laços de amizade e encontrar alguém para que seja seu padrinho ou madrinha; ou seja, alguém em que reconheça afinidade e com quem possa se aconselhar em momentos de dúvida ou crise. Alguém que possa ouvi-l@ em silêncio, sem julgamentos, porque às vezes, é apenas o que se quer. Se parentes e amigos fossem capazes de tal proeza, as salas nem sequer existiriam; para quê?

E, assim, a aceitação começará a ser percebida: dentro de si, dentro do grupo, gerando um novo círculo de amizades, para daí aos demais espaços da vida, reelaborando uma nova forma de viver. Em recuperação.


7 – O que significa “fazer um CTI de salas”?

Quase todo mundo já ouviu falar em algum momento da vida sobre os grupos anônimos ou em terapia de grupo. Ouviu, e deixou pra lá. Normalmente, logo ao decidir buscar ajuda e chegar nas salas, o frequentador está em seu pior momento, o chamado “fundo de poço”, pois reconhece necessitar de ajuda urgente, de qualquer natureza que seja para tirá-lo/a daquele quadro. Ao se deparar com o ambiente acolhedor e organizado de uma sala anônima, acaba frequentando-as diariamente, às vezes até mais de uma vez ao dia, pelo tempo necessário até que se sinta melhor física, mental e espiritualmente.


8 – Ouvi dizer que tem gente que frequenta mais de um tipo de grupo, porquê isso acontece?
É quase impossível alguém apresentar uma dependência exclusiva. Seres humanos são criativos o suficiente para normalmente frequentarem grupos de salas para trabalharem seus conjuntos individuais de dependências. Por exemplo, alguém pode ser alcoólico e narcótico; outro talvez seja compulsivo enquanto fumante e jogador e devedor; assim por diante. Mas, novamente, por envolver questões muito íntimas, o frequentador normalmente diz apenas “sou de outra irmandade” (normalmente sem especificar qual). Alguns frequentadores de sala, ao se depararem com conhecidos em tipos diferentes de sala, simplesmente optam por ignorar o colega para evitar conversa. Caso aconteça algum dia isso com você; não se ressinta, não tome por ofensa pessoal, acontece. E continue voltando!  

%d blogueiros gostam disto: