Memes- Amor Exigente

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Nono Passo – Setembro

Nono Passo do programa de recuperação de AA –  “9. Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a outrem”.

Feito o oitavo passo de AA, uma lista de todas as pessoas a quem possamos ter prejudicado de alguma forma – mesmo que este prejuízo tenha sido intangível, da esfera do moral ou emocional – passaremos ao nono passo: realizar reparações.

Algumas sugestões de reparação para o Passo 9 estão listada em outro texto aqui do site Grupos Doze Passos. São formas diretas de reparação: enviar uma mensagem por escrito, uma gravação de áudio, um telefone, um encontro, um pedido de desculpas levado por outra pessoa em comum. Mas se  o contato com tais pessoas puder causar novos transtornos ao invés da intenção de encerrar pendências, essa escolha precisará ser readaptada na forma de reparações indiretas. Seria possível doar algo para uma terceira pessoa ou instituição ao qual a quem desejamos reparar se importaria. Por exemplo: se sei que a pessoa a quem quero reparar meu dano causado seja voluntário de um determinada ONG X eu doarei algo para a mesma ONG X, independente de minha crença em tal instituição ou não. Ou posso doar (tempo, objetos ou dinheiro) para pessoas carentes mentalizado os objetivos do nono passo. Enfim, realizamos o Passo 9 com o propósito maior de limparmos o peso do assunto de nossa alma, perdoarmos a nós mesmos por termos agido mal e libertar a outra pessoa de qualquer desavença conosco.

O nono passo é transformador demais para ser negligenciado.

Décimo Passo – Outubro

Décimo Passo do programa de recuperação de AA –  “10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente”.

Entrar em uma sala de programação de Doze Passos, para aqueles que se comprometem com sua recuperação pode apresentar uma outra consequência: cruzar muitas outras portas. As reuniões estruturadas para falarmos de nossas angústias mais urgentes têm o poder de permitir nos observar repetindo certos assuntos, desabafar, pedir por ajuda aos mais experientes e observar “os espelhos” que nada mais é do que as outras pessoas dentro das salas de reunião de mútua ajuda que repetem certos assuntos que nos irritam, desabafam coisas que consideramos desimportantes e pedem por ajuda de coisas que já estamos cansados de saber… Opa!

Descobrimos que nossos “dramas e segredos particulares” podem ser muito mais comuns e repetitivos do que poderíamos supor na solidão de nossas casas. Vale para nós, vale para os outros. Algumas histórias, tão parecidas com as que vivemos, estão publicadas às dúzias em livros de literatura endossada de AA – mas nunca na listas dos best-sellers que nos oferecem as revistas comuns. Talvez se torne vergonhoso para alguns ter sofrido por eventos e situações já tão esmiuçados por tanta gente anteriormente. As salas nos apresentam à muitas velhas novidades.

Durante esse convívio com novas pessoas iremos adquirir o conhecimento de diversas ferramentas de recuperação e outros recursos disponíveis. Alguns pagos e outros gratuitos. Alguns acessíveis e outros não. Alguns que nos deixarão empolgados a querer conhecer e outros que nos causarão um estranhamento total. Os passos podem ser 12, mas os degraus e sua sequência serão construídos individualmente como uma impressão digital. Um processo de recuperação dificilmente será idêntico ao de outra pessoas, apesar de normalmente possuírem alguns pontos em comum.

Todas essas novas experiências terão o efeito de reciclar nossa visão elaborada lá no 4º Passo. O décimo passo é a observação e reconstrução contínua de nosso ponto de vista sobre nós mesmo e nossa biografia, em um caminho que permite tornar os eventos de nossa história de vida mais compreensíveis e leves no lento processo de aceitação de nós mesmos e percepção de uma base sólida de nossa autoestima e autoconfiança. Admitir erros e repensar eventos se torna gradativamente mais espontâneo e mais fácil com o treino contínuo. São muitos os degraus que podemos juntar aos 12 degraus iniciais, escolha, descarte, tente novamente e o mais importante: prossiga sempre em frente na busca de seu Eu maior e uma história de vida única e especial no mundo – a sua.

Oitavo Passo – Agosto

Oitavo Passo do programa de recuperação de AA –  “8. Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados”.

No momento em que escrevo, integro salas de recuperação anônimas há pouco mais de 4 anos. Não é pouco. E digo que nunca, nunca mesmo, o oitavo e o nono passo sejam citados espontaneamente por quem quer que seja. O 8º e o 9º Passo são lembrados conforme avança o ritmo de leitura dos livros e roteiros de leitura em sala, ou seja, por pura obrigação e acaso de quando seja o “dia deles”. E, claro, não dá para reclamar. Lê-se. Poucos dedos se levantam para comentar. Prossegue-se uma reunião um tanto tímida. Relato porque já vi acontecer, mais de uma vez. Então, porque os Passos 8 e 9 incomodam tanto?

Se entramos em uma sala de terapia de grupo buscando ajuda contra todo o mal que nos fizeram ou porque temos tantos problemas, tais passos subitamente nos “removem o cobertor da negação sob o qual nos aprendemos a nos esconder” como diz a autora endossada Melody Beattie. Trocamos de cadeira contra quem acusávamos e agora temos de responder a quem causamos problemas no papel não de vítima – esse aí já praticamos tanto que talvez o confundamos com nossa própria identidade. Mesmo sendo uma etapa pessoal, pois não somos obrigados pelo programa a sair contando nada a ninguém, isso nos retira da zona de conforto do papel da vítima / vitimismo sem nenhum rodeio. Acusávamos livremente outras pessoas e agora o dedo está apontado para nós. E agora? Vítimas causam danos? Somos só vítimas mesmo? Ou há algo a ser descoberto e curado em nós para curarmos a outros a quem ferimos de algum modo? Isso tudo parece nos remeter a uma difícil palavra… perdão.

Oitavo passo. Podemos fazê-lo imediatamente. Podemos procrastinar. Nem é difícil imaginar como a segunda opção é quase sempre mais ouvida. A literatura endossada nos lembra: é importante fazer. Nossa madrinha ou padrinho nos cobra. Mas ouvimos nas salas: “ainda não fiz, porque não tenho coragem”. O que o oitavo passo nos pede é apenas uma relação de pessoas e situações em que fomos nós mesmos os causadores de uma tipo de problema ou prejuízo. Se encararmos dessa maneira, talvez ganhemos mais coragem em realizar essa etapa integrante de nossa recuperação.

73. Errar é humano e na vida só não errou quem nada fez! – Lema de AA

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