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QUINTO PASSO – MAIO

Quinto Passo do programa de recuperação de AA –  “5. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas”.

Depois do quarto passo, em que fixamos num papel nossa história de vida que nos conduziu à nossa situação atual que necessitou o auxílio de um programa de recuperação (nesse caso, baseado em AA como célula-mãe) seguimos com nosso processo de reprogramação pessoal com foco na serenidade atuando com o Quinto Passo.

No 5º passo, já cientes de nosso próprio papel e responsabilidade sobre nossa biografia, nos direcionamos à tarefa de aprender a conviver com aquele passado de forma digna e harmoniosa. E como fazemos isso? Conversando sobre nossas descobertas registradas no Quarto Passo com uma outra pessoa.

Falar quase sempre é libertador. É comum falarmos com líderes espirituais sobre o que nos aflige. Falamos quando partilhamos nas reuniões de salas anônimas. Falamos quando desabafamos pelo telefone com um amigo de confiança ou familiar em um momento difícil. Falamos nas psicoterapias com profissionais de saúde especializados. Se falamos espontaneamente ou em consultas, não importa, conhecemos e sentimos uma certa melhora seja no curto ou longo prazo. Falar acalma.

Porém, conversar sobre assuntos pessoais delicados requer cautela para que recebamos a serenidade e cura interior almejada ao invés de criarmos ainda mais problemas a serem somados como vergonha, arrependimento ou exposição à chantagens. Por isso, os diversos tipos de Programas de Doze Passos ofertam algumas sugestões de modo geral:

  • Ler seu quarto passo para um padrinho ou madrinha de programação com quem já conviva e confie.
  • Ler com um@ companheir@ de programação em um quinto passo em dupla (prática também conhecida como co-apadrinhamento).
  • Ler para um psicoterapeuta.
  • Ler para um líder religioso de sua escolha que tradicionalmente já possua tal prática.
  • NUNCA LER para familiares e amigos de fora da programação anônima para evitar os chamados “retornos” (pitacos, palpites, opiniões, censuras) em uma hora tão vulnerável para quem lê o 4º passo que possa vir a se sentir constrangid@ e pense em desistir de prosseguir com a reabilitação (seja ela química, emocional ou comportamental).
  • NUNCA LER para cônjuges, namorad@s, casos ou amantes pois o amor pode um dia acabar, o amor pode ser unilateral, o amor pode talvez já ter até saído de cena sem que o confessor tenha notado em seu processo de confusão de vida momentâneo e deixar em mãos alheias uma artilharia emocional fatal a ser utilizada contra o confessor em futuros e inesperados escândalos familiares ou públicos além de poder ser levado à justiça contra pedidos de guarda de filhos, por exemplo. APRENDER A SE POUPAR FAZ PARTE DO PROCESSO DE RECUPERAÇÃO. Além do mais, confessar segredos íntimos para alguém na esperança de reforço ou criação de laços afetivos constitui comportamento manipulador o que está longe de ser uma atitude amorosa com @ outr@.

Bem, escrevemos o Quarto Passo. Escolhemos alguém de confiança que nos ouça abertamente. Elegemos um dia e hora para realizar nosso Quinto Passo de recuperação – seja ela qual for. Então que tipo de resultado talvez encontremos de nossa ação em relação ao Quinto Passo que talvez possa nos ajudar?

  • Ouvimos nós mesmos contando nossa própria história o que reafirma nossa responsabilização pelo surgimento dos problemas atuais e reforça a necessidade de que os atos de cura e reparação também partam de nós.
  • Encerra a estratégia comum de tentar sufocar o que nos aflige através da negação e do silêncio; o que alimenta as brasas de nossos problemas subconscientes que poderão emergir como ações de auto sabotagens às quais nos prejudicarão ainda mais. Encerra muito da ansiedade e comportamentos hipócritas que adotamos para agir em relação aos outros quando não estamos em paz com nós mesmos.
  • A velha estratégia do “guardar segredos para si”, em algum momento pode nos derrubar ao sermos emocionalmente fragilizados por alguma razão e desabafarmos inesperadamente com desconhecidos, com patrões ou colegas de trabalho ou pessoas que não partilham de um respeito sincero por nós e nos oferecem em momentos críticos um “ombro amigo” em troca da satisfação da própria curiosidade. Isso representa somar mais auto sabotagem contra nós mesmos agravando problemas pessoais com fofocas e críticas ao invés de saná-los. Quando esse tipo de coisa acontece é quase como se a pessoa “vomitasse” um quinto passo de um quarto passo não escrito nos ouvidos de qualquer oportunista. O resultado só pode ser um desastre! Melhor encarar a programação honesta e seriamente e aprender a gerir os próprios medos e realizar ações capazes de equilibrar os sentimentos de uma vez preservando sua imagem pessoal e melhorando a imagem social. Nossa autoestima depende de cuidados como esse também.
  • Se no Quarto Passo ficamos nus, no Quinto Passo nos olhamos de frente no espelho.
  • Em programação de doze passos nossos “espelhos” são os outros companheiros, daí a necessidade lógica da partilha com outra pessoa de confiança.

“O remédio sai pela boca e entra pelo ouvido” – frase popular em salas de doze passos.

Desejo, Vontade, Controle

Trecho do e-book de Roberto Goldkorn, “Como derreter a solidão em 7 passos, páginas 124 a 126.

“Desejo versus Vontade como funcionam essas forças? Existe um conhecimento secreto de alguns Yogas indianos que distinguem Desejo de Vontade como formas distintas de energia. Os sadhus (sábios místicos) indianos dizem que o Desejo se origina na região genital, sua cor é avermelhada, sua vibração é intensa, como as notas mais graves do piano ou da batida dos tambores, gera calor e seu único fim é buscar a saciedade- o alivio da tensão. Dai temos dois Desejos básicos: A fome e o sexo (orgasmo). Dentro desses dois originais vamos ter milhares de outros filhotes, que vão desde o desejo de tomar um refrigerante gelado num dia de calor, até fazer cessar uma dor ou um incômodo (tirar um sapato apertado, ou esfregar uma parte do corpo que está “coçando”, por exemplo). De qualquer ângulo que se veja o Desejo ele é criado e se realiza no âmbito CORPORAL, somático, orgânico. Não há dúvida de que o Desejo é uma força poderosa, que moveu a humanidade por milhões de anos até chegar a seu estágio atual. Os Desejos são os cavalos impetuosos que sustentaram homens e mulheres em sua longa caminhada, comer e fazer sexo são suas marcas registradas da nossa sobrevivência como espécie. E a Vontade? A Vontade é um produto da mente, se origina no cérebro, é fruto do pensamento, do raciocínio, de áreas mais nobres e mais jovens, do nosso cérebro. A Vontade cria o impulso para ações mais refinadas, para as invenções, para as sofisticações e inovações que fizeram da humanidade uma civilização.

Sua cor é azulada/dourada, e a vibração é mais sutil, como as cordas mais finas de um violino. Tanto Desejos quanto Vontades em geral possuem algum grau de energia Magnética. A diferença é que a energia Magnética gerada pelo desejo é muito intensa, mas se esvai assim que consegue sua saciedade. O Desejo por água pode nos manter caminhando mesmo quando nossas pernas não suportam mais, pode nos tornar ferozes e nos dar uma força que nem conhecíamos, mas quando saciado ele se esgota, simplesmente some, deixando um “saco vazio” no lugar. Já a Vontade é mais lenta em sua construção, menos intensa, dura mais tempo, gera um quantum bem menor, porém mais estruturado e duradouro de energia magnética. O que os Iogues nos ensinam para criar um super magnetismo? Fazer a transmutação dos Desejos em Vontades! Teoricamente o processo é simples: 1-Identificamos o Desejo que vamos chamar de força-desejo. 2-Depois decidimos (uma prerrogativa da mente) que não vamos satisfazer aquele desejo no momento que normalmente iríamos fazê-lo. Exemplo: Identifiquei que estou com desejo de fazer xixi. Ao invés de ir em direção ao banheiro mais próximo para satisfazer esse desejo, eu o bloqueio. Nesse instante começo a exercer um controle mental sobre as energias, digamos animais. 3-O terceiro passo dessa transmutação é determinar (atributo da mente) quando a satisfação desse desejo será realizada. O método que uso é o seguinte: Detecto a força-desejo. Bloqueio a sua satisfação imediata. Determino quando vou satisfazê-la. Digo em voz baixa: “Esse desejo de fazer xixi está contido pelo poder da minha vontade, e só vou satisfaze-lo dentro de tanto tempo.” O uso do relógio aqui é de grande ajuda.

O que vai acontecer é que aquela força desejo que se originou em geral no baixo ventre vai subir aos poucos pela coluna vertebral até chegar a cabeça onde foi exercido o controle. Isso obviamente cria uma “combustão” interna e gera um Magnetismo primário que já começa a atrair a atenção de outras pessoas. Ao não satisfazer a força desejo, não geramos o “alívio” e ela continua pulsando. Porém quando determinamos um ponto futuro para a sua satisfação ela vai “subindo” em direção a cabeça que passou a controlar o processo. Sua cor se modifica em direção ao espectro das cores frias, mas continuando a conter a energia quente do desejo original. O nome disso é CONTROLE. Controlar as forças desejos é o começo do processo de tornar-se mestre de suas emoções. Esta força sob controle se torna poderosa aliada na geração do Magnetismo. Isso não precisa ser feito sempre que qualquer desejo surge. Afinal não queremos uma neurose. Quando decidimos criar musculatura tonificada, vamos a uma academia, mas não ficamos puxando ferro toda hora durante todo o dia. Devemos começar com pequenos desejos, quer seja de satisfação sensorial ou de alívio de incômodos, como de comer doce, fazer xixi, beber refrigerante, olhar pelo buraco da fechadura etc. Investir contra os grandes desejos, aqueles que foram plantados por comportamentos compulsivos ou vícios, deve ser feito mais tarde porque sem experiência a derrota inicial é praticamente certa. Investir contra o desejo de fumar, de beber bebida alcóolica (quando isso se tornou vício), ou droga, ou retardamento do orgasmo, é só para gente grande. Treine pelo menos 1 ano com pequenos para depois desafiar os grandes. Esse exercício é a base para controlar e energia fugidia dos desejos e aumentar seu Magnetismo”.

Trecho do e-book de Roberto Goldkorn, “Como derreter a solidão em 7 passos, páginas 124 a 126.

Primeiro Passo – Janeiro

Primeiro Passo do programa de recuperação de AA – “1. Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.”

Como citado em outra postagem aqui do site GDP, Fechar um Ciclo, Recomeçar um Ciclo, a ideia de organizar uma parte do processo de recuperação seguindo o calendário – passos correspondentes a cada um dos doze meses do ano, lemas a cada semana, meditações diárias ou seja como for – são estratégias possíveis para a manutenção de uma disciplina espiritual. Cada pessoa, de preferência junto ao seu padrinho ou madrinha de recuperação ou após ouvir espelhos mais experientes em reuniões de irmandades anônimas, irá formular ou adaptar um meio de incorporar o programa de doze passos a sua própria rotina.

O Primeiro Passo nos diz em outras palavras que admitimos nossa derrota: nossas vidas – e talvez em conjunto as vidas  de outras pessoas próximas a nós – se desgovernaram devido a atitudes de nossa parte que agora estão cristalizadas em nós como adicção, depressão ou comportamentos inadequados com os quais não conseguimos lidar ou interromper mais por nós mesmos.

É preciso admitir em que ponto falhamos para que possamos estabelecer um objetivo. Onde falhei será meu foco de recuperação. Talvez, junto ao desenvolvimento do processo de autoconhecimento que se dá início a partir desse passo inicial virão a ser feitas outras admissões de outras questões; pois é muito comum que adicções, sofrimento espiritual e comportamentos compulsivos estejam interligados de variadas formas em cada pessoa. Tudo terá seu devido tempo, mas o importante será estabelecer no primeiro passo uma admissão, um desejo de reverter uma situação.

Bem, talvez tenha sido difícil admitir. Alguns precisam chegar ao fundo do poço e buscar uma ajuda qualquer para não perder ainda mais (um emprego, um casamento, a guarda de um filho, um fio de sanidade). Se o que apareceu como chance de tentar algo foi “esse tal de Anônimos, que seja”. Outros serão empurrados para dentro das salas por familiares (empurrados? Quantos familiares não assistem a primeira reunião em dupla dentro da sala ao lado do futuro ingressante, por garantia de que realmente venha a participar? Muitos!). As mais diferentes razões e circunstâncias podem fazer alguém cruzar a porta fechada com a plaquinha pendurada do lado de fora: “reunião em andamento, deixe os cumprimentos para depois.” Entrar, ficar e continuar voltando.

O trecho final desse passo nos reafirma seu propósito; pois admitimos nossos problemas visando a retomada do rumo saudável de nossos dias. Buscamos de volta nossa esperança através do desejo sincero de mudar aquilo que podemos, ou seja, nós mesmos. E assim, as demais circunstâncias também acabam por mudar como um reflexo ou adaptação aos novos desdobramentos do primeiro passo e a adoção dos outros que viremos a praticar. Mas só depois do primeiro.

Você faz parte um grupo anônimo? Há quantas 24 horas? Você ainda não faz parte mas gostaria de se integrar a um grupo? Busque um endereço. O primeiro passo não será o fim mas o (re)começo de um caminho de positividade e sobriedade. Só por hoje, confie nisso e dê o primeiro de seus muitos passos transformadores que ainda virão.

Meditações para Mulheres que Amam Demais, 7 de Outubro: “Se você acredita ou não em Deus e, caso acredite, se você fala ou não com Ele, ainda assim pode desenvolver sua espiritualidade. Descubra o que lhe traz paz e serenidade e dedique algum tempo, pelo menos meia hora por dia, a essa prática. Tal disciplina pode trazer-lhe, e trará, alívio e conforto.” Robin Norwood