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Décimo Segundo Passo – Dezembro

Décimo Segundo Passo do programa de recuperação de AA –  “12. Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.”.

O Programa de Doze Passos nos promete que ao seguirmos compromissadamente, encontraremos a serenidade. Nada mais. E justamente porque tantas pessoas realizam esse propósito, a programação de AA é considerada mundialmente como uma boa opção para a recuperação de diversos tipos de dependência química, emocional e comportamental.

As pessoas que entram em uma sala de doze passos NUNCA entram porque estão felizes demais, realizadas demais. As pessoas chegam nesses locais porque seus problemas alcançaram níveis tão alarmantes que não sabendo mais o que fazer; até mesmo aceitar ir até lá. E por que esses problemas são revertidos ao longo do tempo e muita dedicação é que se passa a frequentar a sala com alegria. Como não desejar compartilhar seu sucesso com os companheiros mais novos, recém-ingressados? É um comportamento que se torna natural.

Algumas formas de praticar o 12º Passo:

  • Simplesmente ir a uma reunião e partilhar como o programa influenciou positivamente sua vida e incentivar os companheiros a retornarem sempre;
  • Trabalhar voluntariamente nas reuniões;
  • Trabalhar voluntariamente nas reuniões de intergrupo;
  • Distribuir materiais de divulgação e participar dos comitês de informação ao público;
  • Participar dos outros possíveis comitês (literatura, eventos, etc);
  • Participar das ações externas promovidas pelo grupo (visitas a presídios, visitas a eventos de SIPAT em empresas, depoimentos a programas de rádio e tv, etc);
  • Contribuir com a 7ª tradição quando a sacolinha passar durante a reunião para ajudar a sala a ser manter aberta e em bom funcionamento;
  • Criar e participar de blogs, listas de Whatsapp e páginas de redes sociais.

Nessa fase, em gratidão a tudo o que recebemos gratuitamente da programação de AA, passamos a doar nossas experiências voluntariamente às outras pessoas e essas atitudes nos retornam positivamente com o sentimento do propósito anterior de nossos problemas: nos conduzir a uma vida melhor e ajudar os outros a conseguir o mesmos aos sermos nós os espelhos dos novos que entram sofrendo nas Salas. A cada 24 horas, a programação funciona para alguém.

Legenda: na mente quieta a intuição encontra voz.

NA OPINIÃO DO BILL 29, A gratidão deveria ir à frente: “A gratidão deveria ir para frente, nunca para trás”.”Em outras palavras, se você levar a mensagem a outros, estará pagando da melhor maneira possível a ajuda que lhe foi prestada”.”Nenhuma satisfação tem sido mais profunda e nenhuma alegria maior do que um trabalho do Décimo Segundo Passo bem feito. Contemplar os olhos de homens e mulheres se abrirem maravilhados, à medida que passam da escuridão para a luz, ver suas vidas se encherem rapidamente de um novo propósito e significado, e acima de tudo vê-los despertados para a presença de um Deus amoroso em suas vidas – essas coisas constituem a essência do que recebemos, quando levamos a mensagem de A.A”.

Décimo Primeiro Passo – Novembro

Décimo Primeiro Passo do programa de recuperação de AA –  “11. Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade.”.

Esse penúltimo passo nos solicita direcionar nossa atenção e atitudes à prece e à meditação. Prece, normalmente entendida como “falar com Deus/Vida”. Meditação, “ouvir à Deus/Vida”.

A realização dessa etapa compreende que já agimos em nossa recuperação no tocante a:

  • assumir nossos problemas e nos decidir a resolvê-los com o apoio de nossa consciência orientada por um Poder Superior (Passos 1, 2, 3);
  • reorganizar nossas vidas segundo o programa baseado em AA como célula-mãe (Passos 4, 5, 6, 7 e 10);
  • nos harmonizar em nossos relacionamentos passados e presentes em um processo de desligamento emocional que contribua à nossa serenidade diária (Passos 8 e 9);
  • assim se torna claro o quanto evitar problemas torna-se quase uma meta diária. E em muitas 24 horas podemos perceber o quanto essa estratégia funciona! O Passo 11 nos propõe a acrescentar em nossa rotina um espaço de tempo que sirva como ferramenta de recuperação. Dispor um período do dia em que possamos rogar o que necessitamos e agradecer em forma de prece assim como nos disponibilizarmos a reflexão sobre o que nossas vidas necessitam ou o que o momento nos solicita de um modo que conserve nossa dignidade e serenidade.

PRECE

  • Rezar as orações de uma determinada religião em cerimônia em templo religioso;
  • Rezar as orações de uma determinada religião a sós em templo religioso;
  • Rezar as orações de uma determinada religião a sós em casa;
  • Adorar/Louvar a Deus;
  • Confessar a Deus;
  • Agradecer a Deus (por sua vida, saúde, condição material, oportunidades, laços familiares e de amizade, vizinhança, trabalho, talento, moradia, serenidade…)
  • Suplicar a Deus;
  • Pedir que Deus possa interceder e ajudar aos outros.
  • Ler atentamente um texto religioso especial ao momento ao qual está passando;
  • Conversar com Deus; dizer diretamente o que pensa e necessita;
  • Conversar consigo/com a Vida; dizer diretamente o que pensa e necessita – para ateus.

MEDITAÇÃO

  • Fazer curso ou participar de evento para meditadores;
  • Meditar regularmente em casa, igreja vazia ou em algum outro local tranquilo;
  • Escrever um texto pessoal sobre algum problema que @aflija; então destruir ou guardar em local reservado;

Se for para resumir ao máximo o décimo primeiro passo do programa de recuperação de dependências, trataria-se de disponibilizar na rotina um tempo de qualidade para a saúde mental. Grátis e infalível.

Décimo Passo – Outubro

Décimo Passo do programa de recuperação de AA –  “10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente”.

Entrar em uma sala de programação de Doze Passos, para aqueles que se comprometem com sua recuperação pode apresentar uma outra consequência: cruzar muitas outras portas. As reuniões estruturadas para falarmos de nossas angústias mais urgentes têm o poder de permitir nos observar repetindo certos assuntos, desabafar, pedir por ajuda aos mais experientes e observar “os espelhos” que nada mais é do que as outras pessoas dentro das salas de reunião de mútua ajuda que repetem certos assuntos que nos irritam, desabafam coisas que consideramos desimportantes e pedem por ajuda de coisas que já estamos cansados de saber… Opa!

Descobrimos que nossos “dramas e segredos particulares” podem ser muito mais comuns e repetitivos do que poderíamos supor na solidão de nossas casas. Vale para nós, vale para os outros. Algumas histórias, tão parecidas com as que vivemos, estão publicadas às dúzias em livros de literatura endossada de AA – mas nunca na listas dos best-sellers que nos oferecem as revistas comuns. Talvez se torne vergonhoso para alguns ter sofrido por eventos e situações já tão esmiuçados por tanta gente anteriormente. As salas nos apresentam à muitas velhas novidades.

Durante esse convívio com novas pessoas iremos adquirir o conhecimento de diversas ferramentas de recuperação e outros recursos disponíveis. Alguns pagos e outros gratuitos. Alguns acessíveis e outros não. Alguns que nos deixarão empolgados a querer conhecer e outros que nos causarão um estranhamento total. Os passos podem ser 12, mas os degraus e sua sequência serão construídos individualmente como uma impressão digital. Um processo de recuperação dificilmente será idêntico ao de outra pessoas, apesar de normalmente possuírem alguns pontos em comum.

Todas essas novas experiências terão o efeito de reciclar nossa visão elaborada lá no 4º Passo. O décimo passo é a observação e reconstrução contínua de nosso ponto de vista sobre nós mesmo e nossa biografia, em um caminho que permite tornar os eventos de nossa história de vida mais compreensíveis e leves no lento processo de aceitação de nós mesmos e percepção de uma base sólida de nossa autoestima e autoconfiança. Admitir erros e repensar eventos se torna gradativamente mais espontâneo e mais fácil com o treino contínuo. São muitos os degraus que podemos juntar aos 12 degraus iniciais, escolha, descarte, tente novamente e o mais importante: prossiga sempre em frente na busca de seu Eu maior e uma história de vida única e especial no mundo – a sua.

Notas sobre a Aceitação

Este mês, junho de 2018, completo 4 anos em salas anônimas do programa de doze passos para reabilitação de uma depressão que sofri no ano de 2014. Logo que comecei a frequentar o programa algumas coisas que me iam sendo apresentadas me chocavam profundamente:

  • Porque EU estava ali? Eu sempre havia sido uma pessoa certinha e seguido as regras sociais. Tudo o que fiz e realizei na vida era muito similar ao que a maioria das outras pessoas ao meu redor também haviam feito e realizado. Por que afinal meus resultados eram tão diferentes e desastrosos? Porque semeei “igual” na vida e agora colhia tão diferente, meu Deus?
  • Pesquisei sobre uma determinada sala anônima e comecei a frequentá-la por livre e espontâneo desespero de não saber bem o que fazer mas reconhecer que precisava de alguma ajuda.
  • Me lembro do choque inicial de começar a ouvir tantas expressões e jargões aos quais nunca havia ouvido falar. “Onde essa gente se esconde quando não está aqui”, eu pensava. Durante a vida eu havia lido tantos livros e revistas, assistido tanta tv e filmes, como eu podia não conhecer nada daquilo?
  • Mas nada me fazia ferver mais de ódio e indignação do que cada companheir@ que se aproximava amorosamente de mim e tentava me falar algo sobre “aceitação”. “Quem quer saber desse lixo de aceitação” eu pensava. Era algo impossível, muito além de minha compreensão. “Se fosse pra ter aceitação eu nem teria saído de casa”.
  • Mas como continuava sem saber que fazer e querendo melhorar, continuei voltando.

Site de NA: “A nossa experiência com a adicção é que, quando aceitamos que ela é uma doença sobre a qual somos impotentes, tal aceitação fornece uma base para a recuperação através dos Doze Passos. A quantidade de membros de NA vivendo livres da adicção activa mostra que esta filosofia tem funcionado para nós”. [http://www.na-pt.org/recurso/adicao1.php]

Bill (William Griffith Wilson): “A aceitação e a fé são capazes de produzir cem por cento de sobriedade. De fato, elas geralmente conseguem; e assim deve ser, caso contrário, não poderíamos viver. Mas a partir do momento em que transferimos essas atitudes para nossos problemas emocionais, descobrimos que só é possível obter resultados relativos. Ninguém pode por exemplo, se livrar completamente do medo, da raiva e do orgulho. Conseqüentemente, nesta vida não atingiremos uma total humildade nem amor. Assim, vamos ter que nos conformar, com referência à maioria de nossos problemas, pois um progresso muito gradual, às vezes é interrompido por grandes retrocessos. Nossa antiga atitude de “tudo ou nada” terá que ser abandonada”. [NA OPINIÃO DO BILL 6, Tudo ou nada? Grapevine de março de 1962]

Melody Beattie: “O que precisamos para nos entregar e para deixar correr? De nosso passado, presente e futuro. De nossa raiva, ressentimentos, medos, esperanças e sonhos. De nossos fracassos, sucessos, ódio, amor e desejos. Deixamos livres nossas urgências, nossos desejos, tristezas e alegrias. Deixamos livres nossas antigas mensagens, nossas novas mensagens, nossos defeitos de caráter e nossas qualidades. Deixamos livres as pessoas, as coisas e, às vezes, à nós mesmos. Precisamos deixar livres as mudanças, mudando; a natureza cíclica do amor, recuperando-se; e a própria vida”. [Livro Para além da codependência, página 130]

Site de JA: “Hoje, tentarei aceitar menos do que achava ser possível, ficando disposto não somente a aceitar, mas também a apreciar. Hoje, não vou esperar demasiado de alguém – muito menos de mim. Vou tentar lembrar que a satisfação vem de aceitar graciosamente as coisas boas que recebemos, e não ficar furioso com a vida porque ela não é melhor. Já entendi a diferença entre resignação e aceitação realista”? [https://sites.google.com/site/jaumdiadecadavez/julho]

Robin Norwood: “É a aceitação do outro exatamente como realmente ele é que permite a ele mudar se assim desejar”. [Livro Meditações diárias…, 17 de outubro]

Site de AA: “A aceitação libera a iniciativa, aliviando-a das “cargas impossíveis”, transferindo o foco da ação para o “possível”. A ACEITAÇÃO é um ato do LIVRE ARBÍTRIO, mas, para ser eficaz, requer a CORAGEM moral de se persistir apesar do problema imutável. A aceitação liberta o aceitante, rompendo-lhe as cadeias da autopiedade. Uma vez que aceitamos o que não pode ser modificado, ficamos livres emocionalmente e psicologicamente para nos empenhar em novas atividades. Foi dito que uma mente imatura procura um mundo idealístico. Queiramos ou não, precisamos encarar o mundo da realidade e aceitar a vida tal qual ela é, com todas as suas crueldades e inconsistências”. [http://www.aa.org.br/serenidade]

Site de CCA: “O que você VAI encontrar nas reuniões é o seguinte: Aceitação de você como você é agora, como você era, como você vai estar”. [http://www.comedorescompulsivosrs.com.br/como-e-uma-reuniao]

Patrick Carnes: “Quando chega a aceitação final e o dependente sente que é vulnerável, humano, comum, igual aos outros, pode iniciar-se uma mudança notável. Como parte da aceitação, os dependentes precisam admitir claramente a extensão do comportamento compulsivo. A consciência da dependência irá se expandindo e aprofundando por muitos anos, mas nesse primeiro estágio é importante que eles percebam as linhas gerais do comportamento e saibam que a compulsão não atua apenas nisso. Precisam entender que ela envolve crenças, atitudes e pensamentos distorcidos que preservam a negação e a ilusão. Com essa aceitação crescente, os dependentes entram na fase de reparação”. [Livro Isto não é amor, página 198]

Entrei em uma sala de doze passos, aos 33 anos de idade, muito mal e com muita vergonha. Celebro agora meus 37 anos de vida tendo com resultado dos 4 anos de recuperação: a conclusão de duas graduações e ainda fiz outros cursos relevantes, incluindo um mestrado. Expandi minha atuação no meu emprego (eu quase o havia perdido). Adotei o budismo, vegetarianismo e ateísmo, algo realmente radical para quem eu costumava ser. Escrevi uns oito e-books além de poemas, músicas, ter 4 artigos acadêmicos publicados e blogs. Esse próprio blog, em seis meses, já ultrapassou 20 mil visualizações vindas de países de todo o mundo. Se comparo os 4 anos de recuperação atuais com meus 33 anos de vida anterior, parece que havia só um nada absoluto por mais de três décadas. Hoje frequento menos as irmandades anônimas mas permaneço na terapia individual regular. Mas foi somente há pouco mais seis meses que tive um sentimento e aceitei tudo o que havia vivido COM ALEGRIA. Em meus passos, já não acredito que a aceitação conduza até a serenidade mas que aceitação é a própria serenidade. Se a “aceitação” parece impossível para você, do fundo do coração, só posso lhe dizer que ainda assim ela é possível de ser alcançada.

QUINTO PASSO – MAIO

Quinto Passo do programa de recuperação de AA –  “5. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas”.

Depois do quarto passo, em que fixamos num papel nossa história de vida que nos conduziu à nossa situação atual que necessitou o auxílio de um programa de recuperação (nesse caso, baseado em AA como célula-mãe) seguimos com nosso processo de reprogramação pessoal com foco na serenidade atuando com o Quinto Passo.

No 5º passo, já cientes de nosso próprio papel e responsabilidade sobre nossa biografia, nos direcionamos à tarefa de aprender a conviver com aquele passado de forma digna e harmoniosa. E como fazemos isso? Conversando sobre nossas descobertas registradas no Quarto Passo com uma outra pessoa.

Falar quase sempre é libertador. É comum falarmos com líderes espirituais sobre o que nos aflige. Falamos quando partilhamos nas reuniões de salas anônimas. Falamos quando desabafamos pelo telefone com um amigo de confiança ou familiar em um momento difícil. Falamos nas psicoterapias com profissionais de saúde especializados. Se falamos espontaneamente ou em consultas, não importa, conhecemos e sentimos uma certa melhora seja no curto ou longo prazo. Falar acalma.

Porém, conversar sobre assuntos pessoais delicados requer cautela para que recebamos a serenidade e cura interior almejada ao invés de criarmos ainda mais problemas a serem somados como vergonha, arrependimento ou exposição à chantagens. Por isso, os diversos tipos de Programas de Doze Passos ofertam algumas sugestões de modo geral:

  • Ler seu quarto passo para um padrinho ou madrinha de programação com quem já conviva e confie.
  • Ler com um@ companheir@ de programação em um quinto passo em dupla (prática também conhecida como co-apadrinhamento).
  • Ler para um psicoterapeuta.
  • Ler para um líder religioso de sua escolha que tradicionalmente já possua tal prática.
  • NUNCA LER para familiares e amigos de fora da programação anônima para evitar os chamados “retornos” (pitacos, palpites, opiniões, censuras) em uma hora tão vulnerável para quem lê o 4º passo que possa vir a se sentir constrangid@ e pense em desistir de prosseguir com a reabilitação (seja ela química, emocional ou comportamental).
  • NUNCA LER para cônjuges, namorad@s, casos ou amantes pois o amor pode um dia acabar, o amor pode ser unilateral, o amor pode talvez já ter até saído de cena sem que o confessor tenha notado em seu processo de confusão de vida momentâneo e deixar em mãos alheias uma artilharia emocional fatal a ser utilizada contra o confessor em futuros e inesperados escândalos familiares ou públicos além de poder ser levado à justiça contra pedidos de guarda de filhos, por exemplo. APRENDER A SE POUPAR FAZ PARTE DO PROCESSO DE RECUPERAÇÃO. Além do mais, confessar segredos íntimos para alguém na esperança de reforço ou criação de laços afetivos constitui comportamento manipulador o que está longe de ser uma atitude amorosa com @ outr@.

Bem, escrevemos o Quarto Passo. Escolhemos alguém de confiança que nos ouça abertamente. Elegemos um dia e hora para realizar nosso Quinto Passo de recuperação – seja ela qual for. Então que tipo de resultado talvez encontremos de nossa ação em relação ao Quinto Passo que talvez possa nos ajudar?

  • Ouvimos nós mesmos contando nossa própria história o que reafirma nossa responsabilização pelo surgimento dos problemas atuais e reforça a necessidade de que os atos de cura e reparação também partam de nós.
  • Encerra a estratégia comum de tentar sufocar o que nos aflige através da negação e do silêncio; o que alimenta as brasas de nossos problemas subconscientes que poderão emergir como ações de auto sabotagens às quais nos prejudicarão ainda mais. Encerra muito da ansiedade e comportamentos hipócritas que adotamos para agir em relação aos outros quando não estamos em paz com nós mesmos.
  • A velha estratégia do “guardar segredos para si”, em algum momento pode nos derrubar ao sermos emocionalmente fragilizados por alguma razão e desabafarmos inesperadamente com desconhecidos, com patrões ou colegas de trabalho ou pessoas que não partilham de um respeito sincero por nós e nos oferecem em momentos críticos um “ombro amigo” em troca da satisfação da própria curiosidade. Isso representa somar mais auto sabotagem contra nós mesmos agravando problemas pessoais com fofocas e críticas ao invés de saná-los. Quando esse tipo de coisa acontece é quase como se a pessoa “vomitasse” um quinto passo de um quarto passo não escrito nos ouvidos de qualquer oportunista. O resultado só pode ser um desastre! Melhor encarar a programação honesta e seriamente e aprender a gerir os próprios medos e realizar ações capazes de equilibrar os sentimentos de uma vez preservando sua imagem pessoal e melhorando a imagem social. Nossa autoestima depende de cuidados como esse também.
  • Se no Quarto Passo ficamos nus, no Quinto Passo nos olhamos de frente no espelho.
  • Em programação de doze passos nossos “espelhos” são os outros companheiros, daí a necessidade lógica da partilha com outra pessoa de confiança.

“O remédio sai pela boca e entra pelo ouvido” – frase popular em salas de doze passos.

Quarto Passo – Abril

Quarto Passo do programa de recuperação de AA – “4. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos”.

“Pegamos os olhos de outra pessoa e olhamos para nós mesmos. Enxergamos apenas aquilo que estamos trabalhando, como temos sido afetados, o que estamos fazendo, quais são nossas características, e escrevemos num pedaço de papel o que vemos” Melody Beattie, Codependência Nunca Mais, pg 222.

Iniciados os três primeiros passos (admissão, entrega e confiança em um Poder Superior), começasse a vislumbrar a realização do Quarto Passo. São comuns nessa fase reações do tipo:

  • Uns se assustam e simplesmente não o fazem. Diria até que muitos!
  • Outros o fazem correndo logo ao chegar nas salas ”pra ver se resolve logo”.
  • Há quem o faça com o auxílio de um padrinho ou madrinha. Ou um terapeuta.
  • E sempre tem aqueles que ”é claro que irão fazer” – mas, passadas muitas 24 horas, nunca fizeram.

Seja qual for a atitude diante do 4º passo, algo é certo: não é um passo tranquilo para quase todo mundo que segue o programa de doze passos.

  • Nossa cultura não nos estimula a ler, muito menos a escrever. ”Vou fazer redação com essa idade?”
  • Parece que iremos produzir provas contra nós mesmos em momentos delicados da vida em que só queríamos ser amparados.
  • Como colocar décadas de acúmulo de problemas pessoais em um pedaço de papel? Por onde começar?
  • Convence-se de que vai ser demorado de fazer, ”estou sem tempo para isso”… aí, a pessoa lê sobre o 4º passo, partilha sobre o 4º passo, ouve falar do 4° passo sem nunca o fazer de realmente.

O quarto passo desperta tanta controvérsia nas pessoas que é comum que cada irmandade anônima disponha de literatura endossada de auxílio aos seus participantes. Também há publicações independentes de auxílio ao Quarto Passo:

Minha visão é a de que ninguém “faz um quarto passo”. Ao aderirmos de boa vontade ao programa de recuperação de dependências baseado em AA, nos tornamos pessoas que “praticam o quarto passo” assim como se pratica yoga ou caminhada, ou seja, de forma regular.

  • A primeira vez que se escreve um quarto passo podemos ficar extremamente focados no problema do momento –  e não em nós mesmos holisticamente.
  • A primeira vez que se escreve um quarto passo podemos ficar extremamente focados em acusar outras pessoas  –  e não em nós mesmos holisticamente.
  • A prática regular de escrita reflexiva pode ajudar a superar velhas mentiras que nos acostumamos a contar a nosso respeito.
  • A prática regular de escrita reflexiva pode nos estimular a realizar “quartos passos específicos” observando nosso próprio histórico, comportamentos e pensamentos diante de relacionamentos, adicções, no ambiente de trabalho e familiar e outras situações pertinentes.

Leve uma caneta e um caderno a um local tranquilo (em casa sozinh@, biblioteca, parque) e… comece!

“NA OPINIÃO DO BILL 173, As raízes da realidade: “Iniciemos um inventário pessoal, o Quarto Passo. Sem fazer um inventário periódico, um negócio geralmente vai à falência. Fazer um inventário comercial é um processo que consiste em conhecer e enfrentar os fatos. É um esforço para se descobrir a verdade sobre a mercadoria em estoque. Um dos objetivos é revelar os bens danificados ou que não têm condições de serem vendidos, de desfazer-se deles logo, sem pesar. Para que o dono do negócio seja bem-sucedido, ele não pode se enganar a respeito dos valores. Tínhamos que fazer exatamente a mesma coisa com nossas vidas. Tínhamos que fazer um inventário com honestidade”, “Tenho excelentes razões para saber como os momentos de percepção podem construir uma vida inteira de serenidade espiritual. As raízes da realidade, suplantando as ervas daninhas neuróticas, vão promover uma base firme, apesar do furacão das forças que nos destruiriam ou que usaríamos para nos destruir”. 1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 78, 2 – Carta de 1949