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Outros Grupos

“Só eu posso, mas não posso sozinho!” – Lema de Narcóticos Anônimos

O Programa de Doze Passos baseado em Alcoólicos Anônimos como célula mãe pode encontrar entusiastas e detratores – mas o fato é que perdura há mais de oito décadas com salas cheias ao redor do mundo. E outros tipos de grupos anônimos permanecem surgindo conforme as questões contemporâneas invadem as vidas dos indivíduos.

Apesar dos esforços em se criar e manter grupos capazes de abranger ao máximo os assuntos relacionados ao motivos causadores de desequilíbrios espirituais e causadores de males como a depressão, isolamento e suicídio – entre muitos outros – é possível perceber que muitos grupos ainda poderiam ser criados como suporte aos mais diferentes grupos sociais. Algumas sugestões seriam:

  • Transgêneros
  • Solitários
  • Uso compulsivo de internet
  • Acumuladores (objetos, animais, etc)
  • Dificuldades de aprendizado
  • Bullying
  • Idosos
  • Mães solteiras
  • Crianças com transtornos de comportamento
  • Deficientes físicos
  • Pessoas afetadas por doenças específicas
  • Vítimas de assédio sexual
  • Fanatismo (político, religioso…)
  • Agressores
  • Refugiados e imigrantes
  • (… alguma sugestão para adicionar?)

Apesar da forte inspiração, também surgem a cada dia novos tipos de grupos que apesar de parecidos por constituírem terapias em grupo, NÃO SÃO BASEADAS em doze passos de AA da maneira tradicional. Por essa mesma razão não estão listados em nosso menu de endereços, mas merecem nota pelo serviço prestado a pessoas com diferentes tipos de dificuldades físicas, mentais e espirituais.

Outros Grupos em Portugal (não anónimos)

Na verdade, seja pela a inexistência de alguns grupos ou seja pelo surgimento de grupos de iniciativa privada, o fato é que existe demanda! E nós podemos sim criar e recriar todos eles – e outros tantos mais – como grupos anônimos de mútua ajuda gratuitos baseados no programa de doze passos de alcoólicos anônimos. Que tal?

“Em A.A. nada se cria. Tudo se copia!” – Lema de Alcoólicos Anônimos

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A espiral da recuperação – Parte 2

“Há anos observo as pessoas usarem várias ilustrações para representar a recuperação ou o processo de crescimento … Já vi a recuperação ser retratada como um zigue-zague para cima e para baixo, formando picos cada vez maiores … como uma espiral de fora para dentro em círculos menores até formar um centro de estabilidade … como uma linha se movendo para cima e para baixo, formando círculos repetitivos e ascendentes… O que ainda não vi … é uma figura formada por uma linha reta e ascendente. Porque a recuperação não é assim.” Melody Beattie, Para além da codependência, página 58

No post anterior, A espiral da recuperação – Parte 1, foi explorada ideia de um progresso da serenidade espiritual em espiral. Agora, aquela mesma espiral do processo de desenvolvimento será agora analisada pela perspectiva que lhe confere suas curvas, desvios e inclinações: as recaídas.

Recaída em começo de recuperação: indesejável, imprevisível e certeira
As primeiras vezes que se ouve falar em recaídas em reuniões de grupos de doze passos percebe-se algo de misterioso no ar: alguém pode não estar presente à reunião por que recaiu. Alguém está mais tenso ou deprimido por que reconheceu ter recaído. Há uma certa tensão quase constante entre as pessoas em recair. E o que se trata de “recair”, afinal nos perguntamos em nossas mentes. Recair é um jargão das salas de irmandades anônimas para a reincidência em alguma prática que supostamente estaria sendo superada pela terapia de mútua ajuda.

  • Se um adicto começa a frequentar o Programa e a aprender novos recursos para superar sua compulsão por certa substância (seja álcool, narcótico, remédio, cigarro, etc) e em certo momento a usa novamente; diz-se que “recaiu”.
  • Se um adicto comportamental começa a frequentar o Programa e a aprender novos recursos para superar sua compulsão por certas atitudes (seja comportamento sexual compulsivo, jogar, compras, comer em excesso, etc) e em certo momento pratica ou retoma a ativa; diz-se que “recaiu”.
  • Se um dependente emocional começa a frequentar o Programa e a aprender novos recursos para superar sua interação dependente e compulsiva com determinadas pessoas (seja parceria sexo-afetiva real ou platônica, pais, filhos, outras pessoas) e em certo momento age inadequadamente novamente; talvez na forma de perseguição (física, telefônica ou eletrônica) ou agressividade (violência, assédio, ameaça) ou tentativas desesperadas de salvamento (dar dinheiro, ceder moradia inadequadamente, outros), diz-se que “recaiu”.
  • Se um codependente começa a frequentar o Programa e a aprender novos recursos para superar sua interação compulsiva com determinadas pessoas cujas atividades lhe são alvo de controle (seja parceria sexo-afetiva real ou platônica, pais, filhos, outras pessoas) e em certo momento age inadequadamente novamente; talvez na forma de perseguição (física, telefônica ou eletrônica) ou agressividade (violência, assédio, ameaça) ou tentativas desesperadas de salvamento (dar dinheiro, ceder moradia inadequadamente, outros), diz-se que “recaiu”.


Recaídas durante a recuperação: porquê?
Ao começar a frequentar um programa de Doze Passos, o indivíduo é surpreendido com muitas novidades em sua vida: o novo compromisso pessoal de ir até ao grupo escolhido em certo dia e horário, a gradual formação de um grupo de conhecidos sobre os quais vai conhecendo aos poucos, as informações novas, a vontade inicial de “mudar”, enfim; o horizonte daquele que adere ao Programa de Anônimos se enche de novidades muito rapidamente. É razoavelmente fácil de sentir melhor em um primeiro momento.

É aí onde reside a confusão. Se sentir melhor não é sinônimo de serenidade assim como estar abstêmio não é sinônimo de sobriedade. Toda essa nova vontade em mudar algum aspecto de si e todas essas novidades da Programação estão chegando e se instalando na vida de alguém que necessariamente ainda estará de algum modo vivendo como estabelecido pela “programação” de seu antigo modo de viver que potencialmente o conduziu à adicção ou dependências:

  • uma história de vida pregressa que ainda está se desenvolvendo da forma como foi estabelecida por diversos fatores não necessariamente benéficos ao sujeito;
  • com uma família ou um relacionamento sexo-afetivo disfuncional que ainda exercerá influência sobre o mesmo;
  • adquirindo produtos de mídia e culturais que o entretém enquanto lhe comunicam as mesmas velhas mensagens comerciais distorcidas de um real modo positivo de viver;
  • se a pessoa não construiu um estrutura material ao longo de sua vida (formação, carreira profissional, moradia, amparo social e financeiro, círculo social e networking, prática de hobbies e lazer, definição ou realização de sonhos, etc) ela pode ainda está à mercê de viver de maneiro errática e desestruturada;
  • Muitos outros fatores, tão relevantes quanto os citados e com relevância suficiente para até agir como “gatilhos” de compulsão.

 

Recaídas em recuperação: existe um Programa para isso!
O Programa de recuperação baseado nos Doze Passos de Alcoólicos Anônimos não é um remédio que compra, não é um evento que se vai em um final de semana e não se concretiza segundo “a vontade do freguês”. Uma boa analogia ao Programa de AA seria compreendê-lo como um aplicativo de computador ou celular. Sabe-se que a adoção estruturada de uma série de instruções descritas segundo um código de programação computacional é capaz de realizar um determinado resultado, como uma aplicativo de celular ou computador. Adotar a programação de anônimos na vida, ao final, é reprogramar a vida estruturalmente para obter como resultado específico serenidade espiritual, física e mental. Costumo estender essa definição também aos campos social, ambiental, financeiro e familiar; pois são aspectos inteiramente interdependentes se repararmos bem.

Enquanto um programador de computador elabora seus conhecimentos para gerar os algorítimos de um código de programação visando obter como resultado as tarefas de um aplicativo; aos poucos ele encontrará situações em que seu conhecimento não será suficiente e precisará aprender algo novo, aos poucos surgirão os bugs (ou falhas de programação) que também irão testar suas habilidades de trabalho individual e em equipe e o aplicativo finalizado realizará funções conforme viabilizado pelos conhecimentos – ou falta de – da parte de seus criadores.

Analogamente, o participante de grupo de mútua ajuda está obtendo novos conhecimentos nas irmandades, para gerar habilidades pessoais objetivando uma nova “programação de vida” visando obter como resultado uma vida serena distante de comportamentos de adicção e dependências. Enquanto isso acontece, aos poucos ele encontrará situações em que seu conhecimento não será suficiente e precisará aprender algo novo afim de se afastar de situações e pessoas ligadas à dependência/adicção, aos poucos ocorrerão recaídas (ou falhas em sua “programação”, literalmente!) que também irão testar suas habilidades de recuperação individual e ao lado de seus companheiros, coordenadores e padrinho/madrinha de grupo de anônimos e sua vida após certo tempo de frequência ao programa será tão diferente do modo de vida anterior conforme viabilizado pelos conhecimentos e adesão às ferramentas de recuperação – ou falta de – de seu integrante.

O importante de tudo isso é a percepção de que ninguém que frequente uma sala de terapia de grupo estará imune a recaídas, mas que elas também não irão ocorrer para todo o sempre. Confie em si e no Programa e os (bons) resultados virão a seu tempo.

“As recaídas acontecem com muitos de nós. Acontecem com pessoas que estão se recuperando há dez meses ou há dez anos. Acontecem não porque somos deficientes ou relaxados, e sim porque são uma parte normal do processo de recuperação.” Melody Beattie, Para além da codependência, página 60.

Ciclos Viciosos

Aqueles que participam ativamente do Programa de Doze Passos possuem a consciência de estar aderindo a um novo modo de sentir, pensar e agir capaz de transformar positivamente seu viver visando a superação de problemas de dependência e emocionais. Em contrapartida, existe a percepçāo de já existir dentro de cada um uma “velha” programação a ser descartada; gerada ao longo da vida pela vivência de traumas, estresses, famílias disfuncionais e outros fatores. Realizar a transcendência de uma programação pela outra constitui um desafio e tanto. Abaixo, algumas das armadilhas – as indesejadas recaídas – que costumam surgir durante cada passo dessa – às vezes longa – jornada chamada recuperação.

Auto sabotagem

A auto sabotagem são os ‘presentes de grego’ de nosso inconsciente em que os azares/circunstâncias/pessoas /sociedade nos deprimirão ao ponto de somente obtermos alívio de uma fonte específica: o vício/compulsão adotado.Não é o acaso que nos conduz à recaída emocional/adicção mas a busca de uma justificativa ‘honesta’ à prática da adicção que nos desgoverna em incidentes conscientemente indesejáveis, porém, inconscientemente planejados por nossas almas.Jamais praticamos nossas adicções por uma razão inesperada mas certo é que semeamos razões suficientes para que a colheita da adicção/compulsão ocorra com alguma regularidade capaz em atender a nossos anseios inconscientes.

Padrões

Exemplo simplificado: qualquer pessoa pode encontrar em textos jornalísticos coisas do tipo: ”Chegue cedo a seus compromissos e assim evitará censuras sociais e perda de confiança.” A pessoa lê. Entende. Quer isso para si. Até pode exigir tal comportamento dos outros.Passam-se anos, décadas, uma vida talvez. E a pessoa é a ‘atrasilda’. Sofre censuras e ninguém confia nela.Melhor seria reposicionar causa e consequência: a pessoa, seja por trauma de infância/família disfuncional/etc não consegue inconscientemente permitir que os outros depositem nela confiança (o que quase sempre acarreta responsabilidades maiores) ou se ver como merecedora de elogios.Conscientemente todos queremos isso: confiança e elogios. Mas somos governados, segundo o próprio pai da psicanálise, por nossos ‘90%’ inconsciente que nos auto sabotarão – no caso desse pequeno exemplo – com atrasos e mais atrasos aos quais culparemos o trânsito, o azar, etc e etc nos fornecendo através dos ”julgamentos e injustiças alheias” todo o afastamento de compromissos sérios e expectativas a nosso respeito aos quais temos pavor e nem sequer podemos nos dar conta.

Histórias Pais e Filhos

Se um pai ou mãe adota um comportamento indevido não é difícil que seus filhos conscientemente o identifiquem. Porém, inconscientemente registra-se o indesejado aprendizado como uma forma automática de agir. Filhos adotam involuntariamente formas alteradas dos comportamentos familiares similares. O que aos seus próprios olhos parece ser opção e identidade própria, outras pessoas rapidamente são capazes de afirmar que ”quem sai aos seus não degenera”. Lembrando a velha canção, ”você diz que seus pais não entendem mas você não entende seus pais”. E nem mesmo a si, em nível profundo.

Dores de Processo

Cada um nasce com algumas bagagens, como a genética, emocional e ambiental. Cada pessoa teria ‘uma dose de dor’ a ser vencida ao longo de sua existência, tão necessária, pessoal e insubstituível como respirar. Saída generalizada? Vícios prazerosos ou de fuga. Porém, o que são as adicções em prazer na vida de uma pessoa sofrida senão um catalisador de piora? Por exemplo, a mesma dose de droga que uma pessoa usa recreativamente conduzirá outro à desgraça e assim sucessivamente em relação a fumar, brigar, se exibir, comer, controlar, adoecer, se alcolizar, amar, se drogar, transar, se entreter, mentir, trabalhar, se exercitar, sofrer, jogar, ajudar, se isolar, comprar e seus inúmeros eteceteras e variações. A ‘adicção de escolha prazerosa ou de fuga’ normalmente não destrói e nem é capaz de matar quem não a utiliza como ‘amortecedor de dores de processo individual’ mas para aqueles que inconscientemente a elegem dessa maneira podem estar fatalmente vulneráveis às mesmas. Poucos nascem, vivem e morrem em satisfação nata. É fácil associar tal pensamento ao ‘Karma’ budista em que tudo o que se faz cria uma consequência negativa em um ciclo contínuo de sofrimento próprio e que impacta as pessoas ao redor. ‘Samsara’. Se dores de processo são quase impossíveis de se curar puramente, gratidão aos vícios que nos levem ao paraíso da paz, superando as dores próprias intransponíveis através dos conflitos adicionais capazes de orientar e purificar. Isso, apenas caso aceitemos que a prática insistente da compulsão prazerosa é igualmente a rota e rotina de nossos infernos e de nossos amados que nos cercam. Em que parte da viagem na estrada de nosso viver o contato com a dor original conduz à pista da dependência de adicção (em que a degradação lenta do ‘veículo’ se acelera continuamente arriscando a vida do condutor, eventuais ‘passageiros’ e dos outros viajantes ao redor) se dirigindo à bifurcação que oferta duas pistas como opções sendo um lado a que manterá a vivência sofrida nas escolhas dependentes ou o outro lado que conduzirá à mudança total? Um propósito de vida seria a placa rodoviária com uma seta apontando para a pista rumo à alegria pessoal? Talvez.Nascemos com dores, elegemos vícios diversos ( ”que não viciam nada” em nossas negações), sejam legais ou ilegais, e assim recebemos a grande chance da vida de nos elevarmos pelo descarte da dor e pelo descarte simultâneo da dependência de tal prática ou prazer. Ou o viver perecerá gradualmente de modo diário, talvez abrupto. Porém, nossos nascimentos e vivências guardam dentro de nossas almas mapinhas semelhantes aos quadradinhos de um jogo de batalha naval. Quem nasça, hipoteticamente, com fragilidades em 3F Drogas + 9B Álcool+ 7D Jogo talvez veja sua vida sair razoavelmente ilesa de opções como Afetos co-dependentes + Brigas + Comilança. Porém, provavelmente sem chances de evolução devido a falta de desafios interiores. Outro, com apenas uma fragilidade em 5C Competir poderá encontrar a ruína na prática obsessiva de algum esporte que cause lesões físicas constantes, absorva seu tempo atenção recursos e exponha seus limites à alguma situação letal. Aí, observamos a segunda ‘pista’ condutora à chance de transformação. É quando encaramos nosso passado e a nós mesmos após certo tempo que temos alguma chance de identificar onde pisamos em falso e de onde saímos ilesos em situações em que outros se perderam.

Auto sabotagem, padrões, história de pais e filhos, dores de processo são os enredos sinceros de um diário do tipo ‘Mentiras que invento para mim’.

OBS Autoria leiga em ‘psis’, mas a cada passo mais experiente em um rumo melhor.

Apresentação

Este é um guia pioneiro no Brasil. É o primeiro Guia de Salas Anônimas; editado até o momento para dezesseis Estados brasileiros e os países lusófanos. Espero conseguir desenvolver outros guias para rápida localização de salas para os demais Estados brasileiros e outros países assim que possível.

Esta é uma página independente sobre o que são, como funcionam e dados de localização de Grupos de Doze Passos baseados na tradição de mútua ajuda de irmandades anônimas. Não possui qualquer tipo de endosso de outras instituições de 12 Passos, porém, visa respeitar os Doze Passos de Alcoólicos Anônimos, célula-mãe dos grupos de terapia coletiva.

Para elaborá-lo, utilizei os dados de endereços disponíveis nas páginas eletrônicas de cada irmandade anônima brasileira publicada na internet. Como cada grupo anônimo apresenta suas informações de maneiras muito distintas – alguns optam até mesmo em não divulgar endereço algum – meu trabalho consistiu em um primeiro momento em pesquisar cada site para copiar os dados disponíveis; a seguir, definir um conjunto mínimo de informações relevantes e a maneira como cada uma apareceria no Guia para proporcionar uniformidade textual e, finalmente, perceber quais seriam as exceções dentro dessas exíguas regras.

Salas de doze passos salvam vidas. Espero que ajudem a você.