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Nono Passo – Setembro

Nono Passo do programa de recuperação de AA –  “9. Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a outrem”.

Feito o oitavo passo de AA, uma lista de todas as pessoas a quem possamos ter prejudicado de alguma forma – mesmo que este prejuízo tenha sido intangível, da esfera do moral ou emocional – passaremos ao nono passo: realizar reparações.

Algumas sugestões de reparação para o Passo 9 estão listada em outro texto aqui do site Grupos Doze Passos. São formas diretas de reparação: enviar uma mensagem por escrito, uma gravação de áudio, um telefone, um encontro, um pedido de desculpas levado por outra pessoa em comum. Mas se  o contato com tais pessoas puder causar novos transtornos ao invés da intenção de encerrar pendências, essa escolha precisará ser readaptada na forma de reparações indiretas. Seria possível doar algo para uma terceira pessoa ou instituição ao qual a quem desejamos reparar se importaria. Por exemplo: se sei que a pessoa a quem quero reparar meu dano causado seja voluntário de um determinada ONG X eu doarei algo para a mesma ONG X, independente de minha crença em tal instituição ou não. Ou posso doar (tempo, objetos ou dinheiro) para pessoas carentes mentalizado os objetivos do nono passo. Enfim, realizamos o Passo 9 com o propósito maior de limparmos o peso do assunto de nossa alma, perdoarmos a nós mesmos por termos agido mal e libertar a outra pessoa de qualquer desavença conosco.

O nono passo é transformador demais para ser negligenciado.

Oitavo Passo – Agosto

Oitavo Passo do programa de recuperação de AA –  “8. Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados”.

No momento em que escrevo, integro salas de recuperação anônimas há pouco mais de 4 anos. Não é pouco. E digo que nunca, nunca mesmo, o oitavo e o nono passo sejam citados espontaneamente por quem quer que seja. O 8º e o 9º Passo são lembrados conforme avança o ritmo de leitura dos livros e roteiros de leitura em sala, ou seja, por pura obrigação e acaso de quando seja o “dia deles”. E, claro, não dá para reclamar. Lê-se. Poucos dedos se levantam para comentar. Prossegue-se uma reunião um tanto tímida. Relato porque já vi acontecer, mais de uma vez. Então, porque os Passos 8 e 9 incomodam tanto?

Se entramos em uma sala de terapia de grupo buscando ajuda contra todo o mal que nos fizeram ou porque temos tantos problemas, tais passos subitamente nos “removem o cobertor da negação sob o qual nos aprendemos a nos esconder” como diz a autora endossada Melody Beattie. Trocamos de cadeira contra quem acusávamos e agora temos de responder a quem causamos problemas no papel não de vítima – esse aí já praticamos tanto que talvez o confundamos com nossa própria identidade. Mesmo sendo uma etapa pessoal, pois não somos obrigados pelo programa a sair contando nada a ninguém, isso nos retira da zona de conforto do papel da vítima / vitimismo sem nenhum rodeio. Acusávamos livremente outras pessoas e agora o dedo está apontado para nós. E agora? Vítimas causam danos? Somos só vítimas mesmo? Ou há algo a ser descoberto e curado em nós para curarmos a outros a quem ferimos de algum modo? Isso tudo parece nos remeter a uma difícil palavra… perdão.

Oitavo passo. Podemos fazê-lo imediatamente. Podemos procrastinar. Nem é difícil imaginar como a segunda opção é quase sempre mais ouvida. A literatura endossada nos lembra: é importante fazer. Nossa madrinha ou padrinho nos cobra. Mas ouvimos nas salas: “ainda não fiz, porque não tenho coragem”. O que o oitavo passo nos pede é apenas uma relação de pessoas e situações em que fomos nós mesmos os causadores de uma tipo de problema ou prejuízo. Se encararmos dessa maneira, talvez ganhemos mais coragem em realizar essa etapa integrante de nossa recuperação.

73. Errar é humano e na vida só não errou quem nada fez! – Lema de AA

Sétimo Passo – Julho

Sétimo Passo do programa de recuperação de AA –  “7. Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições”.

Ao adotarmos um programa como o de Doze Passos, pessoalmente e talvez também na esfera familiar e social, seremos cobrados por ações e atitudes. Começamos a frequentar as salas anônimas, estamos conhecendo outras pessoas em situações parecidas com as nossas (a quem assumiremos como “espelhos” de nossa recuperação), adquirimos a literatura endossada e tudo isso é visível. Estamos agindo.

Aí, bem no centro dos Doze Passos de AA, encontramos o sétimo passo com sua orientação “humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições”. Haveria um limite para agir? Haveria um limite para mudar? Se o Programa nos promete a serenidade através de uma mudança de consciência e atitudes, porque incluir um passo que nos requer paciência e até mesmo uma passividade em “rogar” algo – mesmo que seja a um Poder Superior?

As mudanças tratadas nas reuniões anônimas são de amplo espectro e profundidade espiritual. Mudar uma adicção, um comportamento nocivo ou desequilíbrios emocionais são algo que vão muito além de nossa boa intenção ou boa vontade. Se o caso for, por exemplo, algo que a palavra “mudança” nem sequer seja possível, mas “adaptação” sim. Não é como mudar de estilo de roupa ou de casa ou de emprego. É como estar mudando a essência de si mesmo!

Se você acredita que já fez muito na Programação e os resultados obtidos não estão alcançando as expectativas, talvez esse seja o momento de uma pausa nas cobranças pessoais. A hora de dizer: “Poder Superior, me mostre uma direção a seguir”. Observe: onde chegar em sua recuperação continua inteiramente a ser de sua responsabilidade definir. Mas o como… às vezes é misterioso. As possibilidades podem ser muitas ou até mesmo infinitas, mas qual delas nos cabe? Precisamos observar atenciosamente nossos resultados obtidos até então para descobrir: o que vem sempre dando certo e o que não “vingou” de jeito nenhum.

Nossas imperfeições – seja um vício, comportamento ou emocional – se construíram ao longo das décadas de nossa vivência e não serão desfeitas porque lemos um “meme” em uma rede social. Estamos falando de mudar escolhas, hábitos e uma identidade muito arraigada à qual ainda vivemos mesmo que venhamos reduzindo ou evitando tais recursos. Porém, nossa família, amigos e conhecidos ainda nos associará ao nosso “velho eu”, testando nossa paciência e limites. Quando lemos notícias, ouvimos músicas,  assistimos tv ou filmes as mensagens da mídia são muitas vezes repetições daquilo que estamos nos auto-educando a abandonar. Não tem como “mudar” não ser mais lento do que gostaríamos.

A vantagem de seguir os 12 passos, é que mesmo devagarinho, um dia percebemos ou alguém nos diz. “Nossa, quanta mudança”. O sentimento de gratidão encerra a jornada ou pelo menos essa parte do caminho.

#acreditenospassos #acreditenops #acrediteemvocê

Sexto Passo – Junho

Sexto Passo do programa de recuperação de AA –  “6. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter”.

O Sexto Passo se assemelha ao Segundo Passo por ambos serem decisões de fé. Se no 2º Passo entregamos nossas decisões a um Poder Superior a nós mesmos, no 6º Passo reconhecemos nossas limitações em agir sobre nosso próprio comportamento e pedimos a um Poder Superior que aja sobre nós:

  • Pois aprendemos pela observação de nossa situação atual o quanto nossas ações ”conscientes” do passado e presente nos conduziram aos problemas com os quais temos agora que lidar.
  • Pois muitos daqueles que nos aconselharam (família, amigos, conceitos culturais, ditados populares, livros…) não nos conduziram ao sucesso esperado.
  • Pois defeitos de caráter normalmente são muito óbvios quando observados nas outras pessoas – e mais obviamente ainda se não possuímos nenhum tipo de laço com elas – mas totalmente invisíveis em nós mesmos. Lembra-se do Quarto Passo?

No Primeiro Passo admitimos precisar de ajuda para tornar nossas vidas controláveis. No Segundo Passo assumimos em nome de nossa recuperação espiritual  a crença em um PS. No Terceiro Passo declaramos nossa intenção ativa em entregar nossas vidas e vontades a esse PS. No Sexto Passo, assim como no 2º, enfatizamos que as origens de tal necessidade precisam ser renovadas em uma fonte além de nossa compreensão atual ou convencional para que consigamos finalmente obter resultados diferentes (e positivos) de nossas ações em nossa rotina. Precisamos (re)aprender a viver com a ajuda de um PS seja ele qual for.

Essa nova abordagem de buscar orientações ao nosso sentido de viver baseado em serenidade requer muito de nossa aceitação do porquê o Programa de Anônimos ser organizado em diversos passos. Aceitação porque certamente ao longo da vida desejamos muito para nós que nos foi tirado ou nem sequer realizado. Provavelmente estamos sentindo vergonha e com uma grande pressa em reverter nossa realidade atual. Mas assim como o evidenciado pelo 4º Passo de que grandes questões em nossa vida dependeram talvez de décadas de nossas ações ou opções igualmente nossa franca recuperação também dependerá de nossa perseverança em gerar novas ações positivas que se desdobrem no tempo. Algumas pessoas espiritualizadas chamam isso de encerrar o samsara (ciclo de sofrimento) pela interrupção do karma (ações negativas). Faz sentido a analogia.

Tal empreitada irá exigir de nós tempo e perseverança em busca dessa nova vida que ainda não conhecemos mas sabemos que podemos alcançar se nos dedicarmos a isso: o Programa de Anônimos nos prometeu. Os companheiros de recuperação nos contam suas experiências, desafios e sucessos nas partilhas dentro das salas de irmandades a cada reunião frequentada. As literaturas endossadas nos esclarecem. Nós mesmos já passamos por muitos Passos até chegarmos aqui; e temos decidido prosseguir porque tem valido a pena.

Mostramos que estamos juntos com um Poder Superior e esse Poder Superior mostra que está conosco!