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QUINTO PASSO – MAIO

Quinto Passo do programa de recuperação de AA –  “5. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas”.

Depois do quarto passo, em que fixamos num papel nossa história de vida que nos conduziu à nossa situação atual que necessitou o auxílio de um programa de recuperação (nesse caso, baseado em AA como célula-mãe) seguimos com nosso processo de reprogramação pessoal com foco na serenidade atuando com o Quinto Passo.

No 5º passo, já cientes de nosso próprio papel e responsabilidade sobre nossa biografia, nos direcionamos à tarefa de aprender a conviver com aquele passado de forma digna e harmoniosa. E como fazemos isso? Conversando sobre nossas descobertas registradas no Quarto Passo com uma outra pessoa.

Falar quase sempre é libertador. É comum falarmos com líderes espirituais sobre o que nos aflige. Falamos quando partilhamos nas reuniões de salas anônimas. Falamos quando desabafamos pelo telefone com um amigo de confiança ou familiar em um momento difícil. Falamos nas psicoterapias com profissionais de saúde especializados. Se falamos espontaneamente ou em consultas, não importa, conhecemos e sentimos uma certa melhora seja no curto ou longo prazo. Falar acalma.

Porém, conversar sobre assuntos pessoais delicados requer cautela para que recebamos a serenidade e cura interior almejada ao invés de criarmos ainda mais problemas a serem somados como vergonha, arrependimento ou exposição à chantagens. Por isso, os diversos tipos de Programas de Doze Passos ofertam algumas sugestões de modo geral:

  • Ler seu quarto passo para um padrinho ou madrinha de programação com quem já conviva e confie.
  • Ler com um@ companheir@ de programação em um quinto passo em dupla (prática também conhecida como co-apadrinhamento).
  • Ler para um psicoterapeuta.
  • Ler para um líder religioso de sua escolha que tradicionalmente já possua tal prática.
  • NUNCA LER para familiares e amigos de fora da programação anônima para evitar os chamados “retornos” (pitacos, palpites, opiniões, censuras) em uma hora tão vulnerável para quem lê o 4º passo que possa vir a se sentir constrangid@ e pense em desistir de prosseguir com a reabilitação (seja ela química, emocional ou comportamental).
  • NUNCA LER para cônjuges, namorad@s, casos ou amantes pois o amor pode um dia acabar, o amor pode ser unilateral, o amor pode talvez já ter até saído de cena sem que o confessor tenha notado em seu processo de confusão de vida momentâneo e deixar em mãos alheias uma artilharia emocional fatal a ser utilizada contra o confessor em futuros e inesperados escândalos familiares ou públicos além de poder ser levado à justiça contra pedidos de guarda de filhos, por exemplo. APRENDER A SE POUPAR FAZ PARTE DO PROCESSO DE RECUPERAÇÃO. Além do mais, confessar segredos íntimos para alguém na esperança de reforço ou criação de laços afetivos constitui comportamento manipulador o que está longe de ser uma atitude amorosa com @ outr@.

Bem, escrevemos o Quarto Passo. Escolhemos alguém de confiança que nos ouça abertamente. Elegemos um dia e hora para realizar nosso Quinto Passo de recuperação – seja ela qual for. Então que tipo de resultado talvez encontremos de nossa ação em relação ao Quinto Passo que talvez possa nos ajudar?

  • Ouvimos nós mesmos contando nossa própria história o que reafirma nossa responsabilização pelo surgimento dos problemas atuais e reforça a necessidade de que os atos de cura e reparação também partam de nós.
  • Encerra a estratégia comum de tentar sufocar o que nos aflige através da negação e do silêncio; o que alimenta as brasas de nossos problemas subconscientes que poderão emergir como ações de auto sabotagens às quais nos prejudicarão ainda mais. Encerra muito da ansiedade e comportamentos hipócritas que adotamos para agir em relação aos outros quando não estamos em paz com nós mesmos.
  • A velha estratégia do “guardar segredos para si”, em algum momento pode nos derrubar ao sermos emocionalmente fragilizados por alguma razão e desabafarmos inesperadamente com desconhecidos, com patrões ou colegas de trabalho ou pessoas que não partilham de um respeito sincero por nós e nos oferecem em momentos críticos um “ombro amigo” em troca da satisfação da própria curiosidade. Isso representa somar mais auto sabotagem contra nós mesmos agravando problemas pessoais com fofocas e críticas ao invés de saná-los. Quando esse tipo de coisa acontece é quase como se a pessoa “vomitasse” um quinto passo de um quarto passo não escrito nos ouvidos de qualquer oportunista. O resultado só pode ser um desastre! Melhor encarar a programação honesta e seriamente e aprender a gerir os próprios medos e realizar ações capazes de equilibrar os sentimentos de uma vez preservando sua imagem pessoal e melhorando a imagem social. Nossa autoestima depende de cuidados como esse também.
  • Se no Quarto Passo ficamos nus, no Quinto Passo nos olhamos de frente no espelho.
  • Em programação de doze passos nossos “espelhos” são os outros companheiros, daí a necessidade lógica da partilha com outra pessoa de confiança.

“O remédio sai pela boca e entra pelo ouvido” – frase popular em salas de doze passos.

Amor de somar, amor de dividir

Para Além da Codependência, Melody Beattie: “Se estamos infelizes sem um amor, provavelmente também estaremos infelizes se tivermos um. Um relacionamento não começa nossa vida; um relacionamento não se transforma em nossa vida. Um relacionamento é a continuação da vida”.

Amor de Dividir – do que estamos falando?
Amor de dividir é o amor romântico, inventado lá pelo século dezoito. Ainda nos obrigamos a iniciar relacionamentos com aquela mentalidade antiga, porém, vivendo com os dois pés no século vinte e um, não tem como funcionar generalizadamente bem mesmo. Pode haver exceções pontuais quando olhamos à nossa volta, mas não mais do que isso. E na vida de quem tem uma auto-estima bem cuidada, a busca é por relacionamentos com grandes chances de serenidade e prosperidade. Chega a ser ingenuidade observar adultos ampararem o sucesso um relacionamento em frases tolas como:

  • “Preciso de você” ou “Oi, você quer que eu me apaixone por você para que eu lhe entregue a resolução de meus problemas por mim, de tudo aquilo que preciso na vida, mas não não tenho conseguido?”
  • “Sem você não vivo” ou “Olá, você gostaria que eu @ ame loucamente enquanto @ acuso de tudo aquilo que você não fizer bem feito em função dos meus interesses?”
  • … e outros clichês que analisando com calma também não passam de umas arapucas bonitinhas.
  • Releia as “traduções” acima e perceba uma agressividade velada daquel@ quem depende contra @ outr@ na forma de muita expectativa e pouco amor de fato. Uma face do romantismo que pouco se comenta.

Quando estamos curados das enganações românticas o primeiro sinal de saúde emocional são quase todas as músicas de amor se tornarem insuportáveis, pois esse mal nos é transmitido geração após geração principalmente por nossa cultura.

O Amor de Dividir na Prática
Um belo dia ou uma bela noite pegamos toda nossa humanidade cheia de qualidades e falhas disfarçadas em um corpo sensual e boas roupas e escolhemos um alguém na multidão – também cheio de qualidades e falhas disfarçadas em um corpo sensual e boas roupas –  para dividir: o amor, o desejo, a fidelidade, a companhia, o preenchimento do vazio da solidão, as famílias, o fazer e criar filhos, as frustrações de infância, os problemas de cotidiano, as variações de humor, o salário e a comida, as experiências, a coragem (de matar baratas, de assumir decisões, andar na rua à noite), os sonhos, o seguro de vida e o plano de saúde e o de previdência, as viagens, a capacidade intelectual, os projetos profissionais e pessoais, os animais de estimação, a paciência (de dirigir em engarrafamento, aguentar choro de bebê e pirraça de crianças, enfrentar fila em banco), o carro, a vontade de votar na esquerda ou na direita, o imóvel e as posses, a saúde e a doença, a riqueza e a pobreza…

Na verdade, dividir tudo de tudo em um relacionamento significa muito mais ser iludido por uma falsa solução e ver multiplicar os problemas, pois muito antes que qualquer eventualidade possa ocorrer ambos já iniciam a relação possuindo um conjunto de incompletudes para as quais passam a contar que a outra pessoa resolva para elas. Mas a outra pessoa… talvez só tenha as incompletudes dela a oferecer também.  Torna-se um espaço tão inflacionado de expectativas que acabam se tornando irreais para ambos os lados que assim que o século vinte inventou o acesso em massa ao divórcio essa estatística não parou de crescer em quase todos os países.

O Amor de Dividir e as Mulheres (principalmente)
Amor de dividir, simplificando, é um relacionamento em que ambos são dependentes um do outro e pactuam a permanecer dependentes um do outro: chega a ser maldoso. Fazendo uma analogia disso com a criação dos filhos, até para estes estabelecemos um prazo (18, 21, 25, 30 anos) para que se tornem independentes dos pais provedores e abandonem o ninho como expressão de sua saúde e realização na vida. Mas enquanto isso, de maneira geral, as mulheres ainda EXIGEM ser dependentes integrais de seus homens até que a morte os separem. Resultado disso nos dias em que vivemos: cada vez mais homens preferindo acessar o Tinder e cia e cada vez mais mulheres sozinhas. E ambos se queixando um do outro e fazendo terapia. Elogio ao Tinder. O pretexto do amor não pode mais ser uma cilada para ninguém.

Não é difícil de perceber que quando uma mulher faz de alguém o destinatário de “preciso de você” ou “sem você não vivo” produz para si mesma uma vulnerabilidade enorme. Essa é a outra face do romantismo também pouco “agradável” que os comportamentos românticos acabam permitindo vir à tona. O amor romântico nos entorpece com tantas promessas de felicidade futuras que às vezes fica difícil perceber os problemas que cria em maior número, velocidade e imediatismo. A mulher (geralmente) se diminui aos próprios olhos enquanto engrandece artificialmente o outro dentro de seu psicológico se tornando um alvo cada vez mais conveniente a ataques de violência física e psicológica; afinal ela começa a conversar – consigo em seus pensamentos e diálogos sociais – que “precisa” e “não vive sem” e a cada vez conta a si e aos outros que não é capaz de cuidar de si mesma e gradualmente acaba se permitindo não ser capaz mesmo. “Nossas palavras criam o nosso mundo” é uma declaração que está presente em diversas religiões e crenças – incluindo na Lei da Atração – porque de fato é o que acontece.

[Se você é uma mulher que vive essa realidade, se ajude: disque 180 e vá a uma sala de MADA]

O Amor de Somar
Bem, e quanto ao amor de somar? Acredito que já tenha se auto-explicado: é claro que alguns aspectos da vida serão divididos, mas ambos se entregam à relação como laranjas completas. Ficar na relação é uma opção de puro amor porque ambos poderiam estar fora se assim quisessem. Resumidamente, no amor de somar ambos participam da relação possuindo simultaneamente estruturas para a vida independente enquanto partilham a vida como opção e jamais por “precisar” ou ” ter necessidade”. E por que fariam isso? Por auto-estima, respeito mútuo e amor.

Meditações para Mulheres que Amam Demais, Robin Norwood, 16 de fevereiro: ”Muitas mulheres cometem o erro de procurar um homem com quem possam se relacionar antes de começarem a se relacionar consigo mesmas; elas passam de homem para homem, sem saber o que está faltando. A busca deve iniciar em casa, com seu próprio eu. Ninguém pode nos amar o suficiente para nos completar se não amarmos a nós mesmas, porque, quando procuramos pelo amor nesse enorme vazio, achamos somente mais vazio”.

Quarto Passo – Abril

Quarto Passo do programa de recuperação de AA – “4. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos”.

“Pegamos os olhos de outra pessoa e olhamos para nós mesmos. Enxergamos apenas aquilo que estamos trabalhando, como temos sido afetados, o que estamos fazendo, quais são nossas características, e escrevemos num pedaço de papel o que vemos” Melody Beattie, Codependência Nunca Mais, pg 222.

Iniciados os três primeiros passos (admissão, entrega e confiança em um Poder Superior), começasse a vislumbrar a realização do Quarto Passo. São comuns nessa fase reações do tipo:

  • Uns se assustam e simplesmente não o fazem. Diria até que muitos!
  • Outros o fazem correndo logo ao chegar nas salas ”pra ver se resolve logo”.
  • Há quem o faça com o auxílio de um padrinho ou madrinha. Ou um terapeuta.
  • E sempre tem aqueles que ”é claro que irão fazer” – mas, passadas muitas 24 horas, nunca fizeram.

Seja qual for a atitude diante do 4º passo, algo é certo: não é um passo tranquilo para quase todo mundo que segue o programa de doze passos.

  • Nossa cultura não nos estimula a ler, muito menos a escrever. ”Vou fazer redação com essa idade?”
  • Parece que iremos produzir provas contra nós mesmos em momentos delicados da vida em que só queríamos ser amparados.
  • Como colocar décadas de acúmulo de problemas pessoais em um pedaço de papel? Por onde começar?
  • Convence-se de que vai ser demorado de fazer, ”estou sem tempo para isso”… aí, a pessoa lê sobre o 4º passo, partilha sobre o 4º passo, ouve falar do 4° passo sem nunca o fazer de realmente.

O quarto passo desperta tanta controvérsia nas pessoas que é comum que cada irmandade anônima disponha de literatura endossada de auxílio aos seus participantes. Também há publicações independentes de auxílio ao Quarto Passo:

Minha visão é a de que ninguém “faz um quarto passo”. Ao aderirmos de boa vontade ao programa de recuperação de dependências baseado em AA, nos tornamos pessoas que “praticam o quarto passo” assim como se pratica yoga ou caminhada, ou seja, de forma regular.

  • A primeira vez que se escreve um quarto passo podemos ficar extremamente focados no problema do momento –  e não em nós mesmos holisticamente.
  • A primeira vez que se escreve um quarto passo podemos ficar extremamente focados em acusar outras pessoas  –  e não em nós mesmos holisticamente.
  • A prática regular de escrita reflexiva pode ajudar a superar velhas mentiras que nos acostumamos a contar a nosso respeito.
  • A prática regular de escrita reflexiva pode nos estimular a realizar “quartos passos específicos” observando nosso próprio histórico, comportamentos e pensamentos diante de relacionamentos, adicções, no ambiente de trabalho e familiar e outras situações pertinentes.

Leve uma caneta e um caderno a um local tranquilo (em casa sozinh@, biblioteca, parque) e… comece!

“NA OPINIÃO DO BILL 173, As raízes da realidade: “Iniciemos um inventário pessoal, o Quarto Passo. Sem fazer um inventário periódico, um negócio geralmente vai à falência. Fazer um inventário comercial é um processo que consiste em conhecer e enfrentar os fatos. É um esforço para se descobrir a verdade sobre a mercadoria em estoque. Um dos objetivos é revelar os bens danificados ou que não têm condições de serem vendidos, de desfazer-se deles logo, sem pesar. Para que o dono do negócio seja bem-sucedido, ele não pode se enganar a respeito dos valores. Tínhamos que fazer exatamente a mesma coisa com nossas vidas. Tínhamos que fazer um inventário com honestidade”, “Tenho excelentes razões para saber como os momentos de percepção podem construir uma vida inteira de serenidade espiritual. As raízes da realidade, suplantando as ervas daninhas neuróticas, vão promover uma base firme, apesar do furacão das forças que nos destruiriam ou que usaríamos para nos destruir”. 1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 78, 2 – Carta de 1949

Ser Mulher e Dependências

Meditações Diárias para Mulheres que Amam Demais, Robin Norwood, 5 de Agosto: “Nossa cultura na verdade encoraja nas mulheres a dependência de relacionamento e reprova aquelas que não pensam, sentem e agem de acordo com esses moldes.”

Oito de março, tornado Dia Internacional da Mulher em memória das operárias mortas em um incêndio durante uma greve no início dos movimentos trabalhistas e feministas. Seria possível repetir muito do que já foi falado desde então. Mas essa é uma página dedicada ao Programa de Doze Passos baseado em Alcoólicos Anônimos enquanto célula-mãe. Se a mídia e os movimentos sociais denunciam que há muito por mudar para a igualdade entre os gêneros no século XXI, quem vive a recuperação das mais diversos tipos de dependências (químicas, comportamentais, emocionais) sabe ainda – também por muitas vezes associar a recuperação à terapia tradicional – que o aspecto da recuperação espiritual pode ser bastante (mais) árduo para as mulheres.

Quando a mulher inicia sua reabilitação, como se internar voluntariamente quando há filhos em casa para criar? Como priorizar a compra de remédios quando seus filhos têm outras demandas também importantes? Como tomar remédio para dormir (contra insônia) se dormir sozinha ou com crianças pequenas sob seus cuidados? Como ir à reuniões de irmandades anônimas – mesmo sendo gratuitas – se não tiver quem cuide de suas crianças para poder sair de casa por pouco mais de 2 horas? Como ir à terapia ou comprar livros ou reuniões de irmandades anônimas – mesmo sendo gratuitas – se não tiver renda própria suficiente para ao menos pagar por um ônibus? Quando as cuidadoras requerem cuidados, quem cuida delas?

1 – Dependências Químicas

1.1 – Alcoólicos Anônimos: Tradicionalmente o grupo reúne homens em sua maioria, mas muitas mulheres também recorrem à AA com histórico de descontrole em relação ao álcool de modo geral devido a traumas infantis (abandono, agressões, abuso sexual e emocional, etc) ou associados a relacionamentos abusivos.

1.2 – Narcóticos Anônimos: Também tradicionalmente tende a reunir mais homens, mas muitas mulheres também recorrem à NA com histórico de abuso em relação às drogas devido geralmente a traumas infantis ou associado a relacionamentos abusivos.

1.3 – Fumantes Anônimos: Impossível não relacionar o vício em nicotina ao glamour estimulado nas mulheres desde jovens por imagens de divas hollywoodianas e mulheres/modelos/personagens socialmente rotuladas como sexys ou misteriosas segurando cigarros.

1.4 – Grupos Familiares Nar-Anon:
1.5 – Grupos familiares Al-Anon:
1.6 – Alateen:
1.7 – Amor Exigente:
Quando os familiares vão mal, não são justamente as mulheres que investigarão opções de tratamentos, coberturas de planos de saúde, descobrirão as salas de mútua ajuda e terão aquela “conversa séria” para que uma recuperação de inicie?

2 – Dependências Comportamentais

2.1 – Comedores Compulsivos Anônimos: Tradicionalmente o grupo reúne mais mulheres, que recorrem à CCA com histórico de descontrole em relação à comida devido a traumas infantis ou porque passaram a utilizar a alimentação compulsiva como um “amortecedor” para relacionamentos (familiares, sexo-afetivos, profissionais, etc) aos quais não conseguem se emancipar.

2.2 – Devedores Anônimos:
2.3 – Jogadores Anônimos:
Ser mulher é para muitas culturalmente desde cedo ser estimulada a escolher profissões de apoio (enfermagem, ensino com crianças, cuidadoras, etc) que muito exigem e pouco retribuem; ou veladamente serem estimuladas a abandonar suas carreiras para priorizar o ambiente doméstico sob títulos pomposos porém ingênuos como os “mãe exclusiva”. Quantas e quantas mulheres não vivem na dependência financeira (pensões, planos de saúde e previdência) e material (imóveis, heranças) deixados por pais ou ex-relacionamentos que alimentam a ideia do trabalho feminino ser desnecessário? O mesmo valendo para a interrupção de estudo por razões de casamento ou gravidez. Isso pode ser um grave fator de complicações diante de eventuais reveses da vida que possam surpreendê-las quando não desenvolveram habilidades essenciais ao trabalho e estão habituadas a viver completamente despreparadas ao autossustento.

3 – Dependências Emocionais

3.1 – Mulheres que Amam Demais Anônimas: Único grupo anônimo exclusivamente feminino no Brasil. As mulheres recorrem à MADA quase sempre com histórico de depressão severa devido a relacionamentos sexo-afetivos abusivos (com homens ou às vezes com outras mulheres).

3.2 – Ciumentos Anônimos
3.3 – Codependentes Emocionais Anônimos
3.4 – Dependentes de Amor e Sexo Anônimos
3.5 – Emocionais Anônimos
3.6 – Introvertidos Anônimos
3.7 – Neuróticos Anônimos
Muitas das vezes ser mulher é praticamente possuir a literatura endossada de tais irmandades como trechos perfeitos da própria autobiografia.

Meditações Diárias para Mulheres que Amam Demais, Robin Norwood, 21 de Abril: “Não é o que dizemos a nossas filhas, mas o modo como nos sentimos e agimos o que fornece as instruções instintivas do que é ser mulher. Embora nossa recuperação da dependência de relacionamento não garanta que elas repetirão nosso exemplo, essa ainda é a melhor maneira de evitar que façam o mesmo. Na verdade, o melhor presente de uma mãe com dependência de relacionamento para sua filha é a própria recuperação progressiva. Não é reconfortante saber que quanto mais cuidamos de nós, mais criamos oportunidade para que todas as pessoas ao nosso redor sejam verdadeiramente saudáveis e felizes?”

“Vício em sexo não existe…”

“…você que é recalcad@!” #sqn

Fulan@ gosta mais de sexo do que a média, é uma característica pessoal ser mais sensual que a maioria das outras pessoas. Outr@ Fulan@ gosta mais de algo que lhe dê um barato do que a média, é uma característica pessoal curtir mais a adrenalina que a maioria das outras pessoas.

Fulan@ deu azar e se casou que alguém que não gosta de transar (enlouquecidamente e perdoando traições) e por isso precisa de umas escapadinhas mais compreensivas. Outr@ Fulan@ deu azar e se casou que alguém que não gosta de curtir um barato (o dia inteiro, todos os dias) e por isso precisa de umas escapadinhas mais compreensivas.

Para sustentar a adicção em sexo, Fulan@ passou a mentir compulsivamente. Para sustentar a adicção em tóxicos, Outr@ Fulan@ passou a mentir compulsivamente.

Fulan@ arrumou um emprego muito peculiar que faz com que trabalhe em horários alternativos ou viaje bastante passando longos períodos fora de casa o que justifica suas variadas aventuras sexuais justificadas pela solidão que seu trabalho lhe impõe. Outr@ Fulan@ arrumou um emprego muito peculiar que faz com que trabalhe em horários alternativos ou viaje bastante passando longos períodos fora de casa o que justifica suas variadas compras e uso de novas substâncias  justificadas pela solidão que seu trabalho lhe impõe.

Fulan@ se enche de ressentimento e raiva a cada pedido familiar para que seja alguém com mais ajustamento diante da vida. Outr@ Fulan@ se enche de ressentimento e raiva a cada pedido familiar para que seja alguém com mais ajustamento diante da vida.

Fulan@ se apaixonova tanto e por outro lado suas aventuras extra-relacionamentos lhe tomavam tanto tempo e traziam tantos transtornos à sua rotina pessoal que acabou por abandonar os estudos sem retomar seu desenvolvimento. Outr@ Fulan@ usava de tantas substâncias que suas aventuras químicas lhe tomaram tanto tempo e trouxeram tantos transtornos à sua rotina pessoal que acabou por abandonar os estudos sem retomar seu desenvolvimento. 

Fulan@, colocou notificações ativas de seus apps de sexo/encontros/relacionamentos em seu smartphone para não perder uma! Outr@ Fulan@, colocou ringtones específicos de seus fornecedores em seu smartphone para não perder uma!

Fulan@ gosta muito de seu filho mas passa tanto tempo fora de casa em envolvimento em romances, flertes e casos que mal o vê ou contribui materialmente para seu desenvolvimento. Outr@ Fulan@ gosta muito de seu filho mas passa tanto tempo fora de casa em envolvimento em raves, baladas ou simplesmente chapado que mal o vê ou contribui materialmente para seu desenvolvimento.

Otários trabalham para viver, mas Fulan@ trabalha para transar enquanto que Outr@ Fulan@ trabalha pra comprar “um negocinho”.

Fulan@ viu o amor de seus familiares ser gradualmente substituído por um Triângulo de Karpman infernal que somente os afasta cada vez mais levando a conviver ainda mais intensamente o sexo. Outr@ Fulan@ viu o amor de seus familiares ser gradualmente substituído por um Triângulo de Karpman infernal que somente os afasta cada vez mais levando a conviver ainda mais intensamente as drogas.

Fulan@, para arrumar um emprego melhor, se mudou para uma cidade distante longe das críticas de seus familiares a respeito de sua conduta sexual exótica. Outr@ Fulan@, para arrumar um emprego melhor, se mudou para uma cidade distante longe das críticas de seus familiares a respeito de sua conduta de uso de tóxicos exótica.

Fulan@ até que tenta ter uma vida social e cultural, mas tudo é tão tedioso! Outr@ Fulan@ até que tenta ter uma vida social e cultural, mas tudo é tão tedioso!

Fulan@ descobriu que seu cargo profissional valorizado é um excelente fator de sedução entre outros funcionários e pessoas que circulam ao redor da empresa. Outr@ Fulan@ descobriu que seu cargo profissional valorizado é um excelente fator de livramento de sanções penais mais comuns a outras pessoas vivendo sua mesma situação.

Fulan@ quando fica algum tempo sem transar começar a sentir umas sensações tão estranhas que pensa estar acontecendo algo grave consigo. Outr@ Fulan@ quando fica algum tempo sem “usar” começar a sentir umas sensações tão estranhas que pensa estar acontecendo algo grave consigo.

Fulan@, vive intensamente o sexo em sua vida pessoal e seus passatempos incluem apps de encontros e pornografia e prostituição e outras formas de subculturas sexuais super sofisticadas das quais se orgulha muito. Acredita ser um privilégio da vida ser “hedonista” ao contrário do resto das pessoas que não passam de uns otários. Outr@ Fulan@, vive intensamente os narcóticos em sua vida pessoal e seus passatempos incluem bate-papo com outros usuários e idas a bocas de fumo e compras com “aviões” que lhe trazem produtos de morros ou do exterior e outras formas de subculturas da “nóia” super sofisticadas das quais se orgulha muito. Acredita ser um privilégio da vida ser “hedonista” ao contrário do resto das pessoas que não passam de uns otários.

Fulan@ já precisou de ajuda médica ou usar remédios por conta de seu sexo. Outr@ Fulan@ já precisou de ajuda médica ou de internação por conta de seu vício.

Fulan@, quando termina um relacionamento ou não consegue o que quer, retorna fúria e agressividade principalmente contra sua família! Outr@ Fulan@, quando acaba o bagulho ou não consegue o que quer, retorna fúria e agressividade principalmente contra sua família!

Fulan@ curte músicas/filmes/séries que só falam de sacanagem. Outr@ Fulan@ curte músicas/filmes/séries que poderiam ser um caso de Justiça.

Fulana é a esposa de Fulano. Para garantir a fidelidade de Fulano exige com ele sexo diário, compra revistas femininas com “dicas de novidades” que às vezes lhe parecem toscas mas que sempre não custam experimentar, faz compras regulares em sex-shops, praticamente não convive com amigos e família porque julga que o sexo com o marido deve ser mais prioritário que cafonices de calendário, possui uma gaveta de lingerie que custaram mais caro que as roupas que costuma ir trabalhar, parou de estudar e de trabalhar para ser uma esposa mais dedicada e sempre estar disponível para o romance com ele, vasculha secretamente a vida eletrônica de fulano para evitar interferências de “outras” e tem certeza de que se um dia Fulano lhe abandonar será seu fim. Quando acha que tem alguma outra mulher seduzindo seu marido percebe que com certeza ainda não tentou de tudo com ele – briga horrores e então se vinga com outro homem ou agenda um menáge em uma casa de swing! Outra Fulana é a esposa de Outro Fulano. Para garantir a fidelidade de Outro Fulano exige “usar” só com ele, procura pela internet “dicas de novidades” que às vezes lhe parecem toscas mas que sempre não custam experimentar, faz compras regulares de narcóticos para adiantar o lado dele, praticamente não convive com amigos e família porque julga que o “uso” com o marido deve ser mais prioritário que cafonices de calendário, possui uma gaveta de bagulhos que custaram mais caro que as roupas que costuma ir trabalhar, parou de estudar e de trabalhar para ser uma esposa mais dedicada e sempre estar disponível para o barato com ele, vasculha secretamente a vida eletrônica de fulano para evitar interferências de “outras” e tem certeza de que se um dia Outr@ Fulan@ lhe abandonar será seu fim. Quando acha que tem alguma outra mulher seduzindo seu marido percebe que com certeza ainda não tentou de tudo com ele – briga horrores e então agenda um mochilão pra experimentar o Santo Daime ou vai pra  Holanda!

As horas sem sexo são cinzentas para Fulan@. As horas sem drogas são cinzentas para Outr@ Fulan@. Só os otários ficam falando dessa tal alegria de viver.

“Devido aos Doze Passos, não consigo mais manter as velhas formas de me enganar.” Meditação Diária de Narcóticos Anônimos, 06 de março, Basic Text, p. 176

Elogio ao Tinder

Esse não é um texto genérico sobre uma novidade moderna. É um texto diretamente dedicado àqueles que estão em terapias de grupo anônimas, tristes com algumas constatações em seus relacionamentos frustrados ou que nem mesmo vieram a se concretizar.

”Agora com os apps de sexo, os homens não querem mais compromisso” é algo mais ou menos comum de se ouvir desde que esse tipo de aplicativo chegou no Brasil. Já pensei assim também, mas mudei a opinião reacionária por outra bem mais otimista.

Muita choradeira de conhecidas em salas de mútua ajuda, Whatsapp e Facebook. Artigos da Marta Medeiros e Danuza Leão. Uma enxurrada de textos magoados em blogs só confirmam aquele pensamento como meio generalizado.

Os homens agora – e somente agora – não honram seus compromissos afetivos? Acho difícil acreditar nisso.

Em dias de informação, educação, leis de proteção à mulher, feminismo, apelos de artistas, queimação de filme em redes sociais… os índices de estupro/assédio/violência contra as mulheres são/continuam assustadores. Traição vira até besteira diante do resto. A maioria desses alvos são justamente namoradas, esposas e filhas. Imagine exigir o tal do respeito em relação a uma mulher (ainda) desconhecida!

Sim, existem homens maravilhosos e dignos de muito amor. Mas são poucos, em geral.

Não é possível que antes de toda essa rede de proteção formal à mulher (que foi necessária ser feita e é burlada como se não existisse) a maioria dos homens eram ”maravilhosos para casar ou se relacionar”. Sabemos que desde nunca.

”Ah, mas antes todo mundo casava cedo e ficava casado”. Pois é… e com que qualidade de vida? A custa de quanta dor, segredos e mágoas? Isso valendo para eles e elas.

Hoje, mais ou menos, quando um homem não quer namorar ou casar com uma mulher e ela acaba ficando solteira por mais tempo que o desejado, a vida continua disponível para ela e ela continua disponível para a vida: vai se formar, vai trabalhar, vai comprar o próprio carro, vai dirigir à noite, vai viajar, vai falar inglês espanhol e alemão, vai investir seu próprio dinheiro, vai pagar seu plano de saúde, vai se pós-graduar, vai fazer consertos dentro de sua casa, vai conhecer tanta gente que vai ter um monte de compromissos de passeio e encontros, vai conversar com um terapeuta, vai pra academia e pro baile dançar, vai ter a própria grana para fazer tudo isso e talvez ainda ter um plano de previdência; enfim… se ela permitir que o fato de não estar namorando não se iguale ao fato de não estar vivendo. Porque isso é opcional e a deprimiria profundamente se tornando um problema de saúde emocional complicado de se lidar. De toda forma, ela poderá ser uma futura namorada muito melhor do que poderia ter sido antes; é isso que é importante reconhecer. Casar não impede nada daquelas coisas mas cá pra nós, quantas esposas você conhece em sua vida pessoal vivendo com essa plenitude toda? Poucas, provavelmente menos que os dedos de uma mão. É trágico, mas as mulheres ainda insistem a jogar essas “responsabilidades” sobre os homens, quer eles tenham pedido ou não. E isso, por sua vez, é desrespeitoso da parte delas com eles – guardando as devidas proporções obviamente.

A boa notícia é que é possível pensar que o Tinder & cia, através dos homens, abriu uma oportunidade de revolucionar os relacionamentos afetivos de qualidade emocional com essa ‘novidade’ da recusa em namorar em prol da busca do sexo sem compromisso. Calma, também defendo o casamento e as relações de qualidade. Tudo será explicado. A má notícia é que esse resultado positivo será provavelmente de longuíssimo prazo.

1º Elogio ao Tinder: Menos homens compromissados por obrigação social de ”ter que namorar para parecer sério”, vulgo aparências = Mais qualidade de fato nos relacionamentos que venham a se firmar. #coda

2º Elogio ao Tinder: Menos mulheres se tornando dependentes materiais/emocionais de homens ”para parecerem sérias”, vulgo aparências= Mais qualidade de fato das parceiras que passam a cuidar mais da própria vida (profissional, educacional, social, pessoal) nem que seja por excesso de tempo livre da solteirice expandida. #ea

3° Elogio ao Tinder: Menos relacionamentos de ”bom papel social” deles com menos dependência delas sobre eles = Menos famílias disfuncionais, menos filhos sofridos. Aliás, com melhores famílias, melhores homens e mulheres no futuro, igualmente. #alanon #naranon #alateen

4º Elogio ao Tinder: ”O Tinder está mandando a geração atual para as salas de terapia” = Uma sociedade melhor. Freud estava esperando por isso há pelo menos uns 120 anos. #n/a

5º Elogio ao Tinder: Ficou mais fácil perceber o vício/adicção/dependência em sexo culturalmente estimulado nos homens = Mais terapias, vidas melhores, parcerias melhores. #dasa

6º Elogio ao Tinder: “Ele me iludiu com a chance de um relacionamento e partiu meu coração”. Ficou mais fácil perceber a dependência emocional culturalmente estimulada nas mulheres. = Mais terapias, vidas melhores, parcerias melhores. #mada

Com perplexidade constato que o Tinder – e os homens – estão fazendo pelo avanço das mulheres quase o mesmo que o feminismo faz com mais de um século de sangue, discussões e luta. Melhor esquecer os estranhos mensageiros e louvar os resultados da passagem mais intensa da dependência (global) feminina para uma vida independente e até mesmo interdependente – e serena!

Boa notícia para as mulheres – que dificilmente perceberão os benefícios neste momento turbulento de expectativas frustradas – que se beneficiarão de uma autonomia nova na vida. Quanto aos homens, um novo ciclo em que as mulheres estejam tão plenas de suas próprias vidas que não mais praticamente os cacem às custas de transtornos a outras mulheres, lhes exigirá a contrapartida de melhoria global para merecê-las. E estar sujeitos a serem preteridos por outras ambições pessoais delas. Ele terá de ser – assim como a ela foi culturalmente ensinado ao longo de gerações de modo geral – um parceiro de verdade, um pai de verdade, fiel de fato se assim combinarem, saudável, equilibrado, pacífico; enfim, terá que fazer por merecer e realmente valer a pena para ela escolhê-lo para um relacionamento sexo-afetivo saudável! Um (futuro) ciclo virtuoso completo.

Final feliz aos relacionamentos entre pessoas – homens e mulheres – serenos e seguros. Raros na vida, ainda. #soporhoje

NA OPINIÃO DO BILL 3, Dor e progresso, “Alguns anos atrás eu costumava ter pena de todas as pessoas que sofriam. Agora somente tenho pena daquelas que sofrem por ignorância, que não entendem o propósito e a utilidade definitiva da dor”. / “Certa vez alguém disse que a dor é a pedra de toque do progresso espiritual. Nós, AAs, podemos concordar com isso, pois sabemos que as dores decorrentes do alcoolismo tiveram que vir antes da sobriedade, assim como o desequilíbrio emocional vem antes da serenidade”.

Terceiro Passo – Março

Terceiro Passo do programa de recuperação de AA – “3. Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.

No primeiro passo admitimos nossa impotência perante algo, alguém ou um determinado comportamento. No segundo passo, viemos a acreditar que algo superior a nós mesmos poderia nos ajudar a sair de tal situação. Chegamos ao terceiro passo que nos solicita entregar o cotidiano de nossas vidas a essa nova crença. Bem, isso não seria excessivo? Isso não seria uma religião? Para que tudo isso? Aliás, de que maneira prática seria possível realizar tal feito?

O programa de doze passos tendo os Alcoólicos Anônimos como célula-mãe existe há mais de oitenta anos, em todos os continentes do planeta e gerou uma série de outros grupos anônimos para as mais diversas questões. Se existe uma forma de se “entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus” a única certeza que poderemos ter é que isso foi realizado de milhões de maneiras únicas e diferentes entre si, pois assim é cada ser humano: único e diferente. Considerando isso, podemos imaginar algumas possibilidades, mas serão elas realmente válidas para estancar nossa dor e reposicionar nossas vidas em um compasso positivo? Como um meio de reflexão, há o texto da Apresentação do livro de Robin Norwood “Por que eu, por que isso, por que agora?”

“Por que eu? Por que isso? Por que agora? Qual de nós, em tempos difíceis, não careceu de respostas para estas perguntas? Sondamos nossos corações. Interrogamos a vida. Ficamos zangados com Deus. Queremos qualquer ouvinte compreensivo. Por quê? e a resposta volta na forma de paliativos vagos e gerais que não captam nem ao menos nossa dor e frustração e são vazios, impessoais e até irritantes, como estes:

“O tempo cura tudo”

“Você está decepcionado(a), mas vai superar isso”

“É a vontade de Deus e não está em nós discutir”

“É o destino”

“Essas coisas acontecem”

Provavelmente o conselho mais intolerável que recebemos quando estamos arrasados por alguma dificuldade seja este: “Procure não pensar muito nisso. Ficar assim só vai deixá-lo sentindo-se pior”. São palavras oferecidas por amigos bem-intencionados que se veêm impotentes diante de nossa aflição, mas nos deixam naufragados e agitados nos baixios de algo que deu errado, muito errado.”

Se as coisas vão severamente mal em nossa vida, estamos desnorteados o suficiente para não sermos bons conselheiros de nós mesmos. Nossos familiares e amigos podem ter muito amor e consideração por nós mas precisaremos talvez realizar o esforço em separar o reconhecimento da afeição deles por nós e que eles tentam nos ajudar com conselhos (frases de ditos populares, memes de internet) e recursos (pagar uma viagem; comprar um livro religioso, filosófico, espiritual ou de auto-ajuda; chamar para um chopp ou “sair para ver gente” para esquecer dos problemas) que simplesmente não funcionam no mais mais das vezes.

Por isso é que em Doze Passos encontramos deliberadamente um caminho para entregar nossas vidas conscientemente à vontade de Deus (ou Poder Superior ou Vida ou outro conceito); pois não se trata de ter sido mandado a escolher isso, mas ser isso a opção disponível. E precisamos tanto.

Precisamos estancar nossa dor e reassumir uma vida cotidiana positiva. Precisamos  compreender por que tal evento nos impactou – quando outras tantas pessoas não passam por isso ou se passam não se permitem abalar – da forma única e diferenciada que somos e não segundo um provérbio popular! Precisaremos, quem sabe, trocar o doído “por quê?” por um esperançoso “para quê?” dos revezes que vivemos.  O Deus que concebemos quererá o nosso bem e nos colocaremos à disposição para a chegada desse bem que ainda pode estar por vir mas sem dúvida dependerá de nós para chegar e ser tudo aquilo que contribuirá para o alcance do nosso melhor enquanto indivíduos.

 

“Deus não exige que consigamos. Espera apenas que tentemos!” – Lema de AA